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Cientistas revelam novo vírus que deixou dois mortos no Congo em 2009

Chamado de Bas-Congo, agente é geneticamente parecido com vírus causador da raiva, mas seus sintomas graves aparecem de forma muito mais rápida

Por Da Redação - 28 set 2012, 13h38

Um consórcio internacional de pesquisadores concluiu que uma doença que provoca febre hemorrágica aguda e que deixou dois mortos e uma pessoa gravemente doente no verão de 2009 na República Democrática do Congo foi provocada por um vírus até então desconhecido pelos cientistas. O Bas-Congo (BASV), como foi denominado pelos especialistas, foi descrito em um artigo publicado nesta semana no periódico PLoS Pathogens.

Surto do vírus Ebola no Congo

Desde o dia 15 de setembro deste ano, 33 pessoas já morreram na República Democrática do Congo vítimas de uma epidemia do vírus Ebola que afeta o nordeste do país, segundo um balanço provisório do Ministério da Saúde. Até esta semana, foram registrados 79 casos – sendo que 19 foram confirmados e o restante, classificados como prováveis ou suspeitos. De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de mortalidade da infecção pelo vírus é de quase 42%. A doença é transmitida por contato direto com o sangue, com as secreções corporais, por via sexual e pela manipulação sem precaução de cadáveres contaminados.

Para os autores da pesquisa, estudar um vírus desconhecido é importante pois fornece uma vantagem no controle de futuros surtos. Charles Chiu, especialista da Universidade da Califórnia, San Francisco, nos Estados Unidos, e outro autor do trabalho, afirma que, embora esses três casos do Congo tenham sido os únicos conhecidos da doença, não está descartada a possibilidade de haver focos desse vírus novamente. Por isso, Chiu e sua equipe, mesmo após a publicação do artigo, continuarão a pesquisar formas de diagnosticar e tratar a infecção pelo Bas-Congo.

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O vírus – De acordo com o estudo, o Bas-Congo é diferente de outros vírus que também infectaram pessoas na África e provocaram mortes por febre hemorrágica aguda – como o Ebola e o Lassa. Segundo os autores, o novo agente é geneticamente mais parecido com a família dos rhabdovirus, que infectam mamíferos, insetos e plantas e cujo membro mais famoso é o vírus causador da raiva. Mesmo entre essa família, porém, o Bas-Congo se mostra muito distinto, já que desencadeia sintomas graves de maneira muito rápida. A raiva, por exemplo, pode demorar meses para se desenvolver após a infecção.

Essas conclusões se basearam em testes de anticorpos realizados no único sobrevivente entre os três que foram infectados pelo vírus e em outros indivíduos que haviam tido contato com esse paciente. A pesquisa ainda sugeriu que o Bas-Congo pode ser transmitido de uma pessoa a outra, mas que provavelmente sua origem está em outra fonte, como um inseto ou um roedor. Ainda não está claro, porém, que animal é esse e de que forma o vírus é espalhado.

“O fato de que o Bas-Congo pertence a uma família de vírus que infecta uma grande variedade de seres vivos significa que ele pode existir permanentemente em um inseto ou outro hospedeiro e que foi acidentalmente transmitido aos seres humanos através de picadas de insetos”, afirma Nathan Wolfe, outro autor do trabalho.

O consórcio de pesquisadores responsável por analisar o novo vírus é composto por cientistas de instituições como a Universidade da Califórnia de San Diego e de San Francisco, nos Estados Unidos, o Centro Internacional de Pesquisas Médicas de Franceville, no Gabão, e o Instituto Nacional de Pesquisas Biomédicas de Kinshasa, no Congo.

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Histórico – Em 2009, um menino de 15 anos morador de uma pequena comunidade rural localizada em Mangala, uma cidade da República Democrática do Congo, ficou doente e apresentou sintomas como sangramentos no nariz e na gengiva e vômitos. Após três dias dos primeiros sinais da doença, o paciente morreu. Uma semana depois do caso do jovem, uma menina de 13 anos que morava no mesmo bairro apresentou uma doença semelhante e também morreu três dias depois do surgimento dos sintomas. O enfermeiro que cuidava dessa menina passou a apresentar sintomas semelhantes, e foi logo transferido para um hospital em uma cidade vizinha.

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