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Cientistas identificam possível causa da hidrocefalia

Níveis anormais de um lipídio podem provocar o aumento da concentração de líquido no cérebro, causando a hidrocefalia congênita

Por Da Redação 7 set 2011, 22h10

Cientistas de The Scripps Research Institute de La Jolla, na Califórnia (EUA), identificaram o que pode ser a maior causa da hidrocefalia congênita, uma das doenças neurológicas mais comuns nas crianças (1 a cada 500 crianças nos Estados Unidos apresenta o problema) e que, em alguns casos, pode provocar a morte.

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HIDROCEFALIA

Hidrocefalia
Hidrocefalia VEJA

É o acúmulo de líquido dentro do cérebro. O líquido cefalorraquidiano (que envolve o cérebro) normalmente é reabsorvido pelo organismo. Quando isso não acontece, ele se acumula e comprime o cérebro, causando uma série de problemas. Pode ser causado por hemorragias, tumores ou, no caso da hidrocefalia congênita, por malformação, que pode ser detectada por exames ainda durante a gravidez.

O novo estudo, publicado nesta quarta-feira pelo periódico Science Translational Medicine, sugere que a hidrocefalia pode ser provocada por níveis anormais de ácido lisofosfatídico (LPA), um lipídio de transmissão sanguínea que pode entrar no cérebro em altas concentrações durante certos episódios de sangramento e causar danos no desenvolvimento das células cerebrais.

Até agora, os cientistas tinham associado a hidrocefalia aos episódios de sangramento cerebrais, mas não estava clara a causa concreta da doença.

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Após esse estudo, os pesquisadores poderão aprofundar em tratamentos de prevenção e paliativos. “Isto proporciona uma prova de conceito para o tratamento médico dessa doença”, disse Jerold Chun, diretor do estudo.

De acordo com o especialista, a pesquisa também sugere que este mecanismo de participação de LPA poderia ser relevante para outros transtornos neurológicos associados com o desenvolvimento cerebral alterado.

O LPA se produz normalmente na fase rápida do crescimento cerebral do feto e parece ser importante para o desenvolvimento normal dos neurônios. No entanto, quando os cientistas acrescentaram concentrações superiores de LPA aos cérebros de fetos de ratos, encontraram um inesperado efeito no desenvolvimento cerebral.

“Quando os examinamos como recém-nascidos, nos surpreendemos ao ver que tinham cérebros grandes e cheios de líquido. Foi como um momento ‘eureka’, porque nos demos conta que o LPA poderia explicar a hidrocefalia”, disse Yun Yung, coautora do estudo.

Em uma demonstração final, a equipe tratou vários fetos normais de ratos com um composto que bloqueia a ativação de um dos dois tipos de receptores de LPA e concluiu que, apesar da exposição ao lipídio, seus sinais de hidrocefalia estavam reduzidos de maneira considerável.

(Com Agência EFE)

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