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Cientistas bloqueiam proteína relacionada ao Parkinson

Mutações na proteína quinase LRRK2 estão ligadas ao aparecimento da doença e também ao aumento do risco de desenvolvê-la

Por Da Redação - 13 Dec 2012, 20h37

Pesquisadores conseguiram bloquear a produção de uma proteína que, quando sofre mutação, está relacionada à doença de Parkinson. A pesquisa foi realizada pela Genentech, empresa do grupo Roche, especializada em biotecnologia e publicada nesta quarta-feira, no periódico Science Translational Medicine.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Ser1292 Autophosphorylation Is an Indicator of LRRK2 Kinase Activity and Contributes to the Cellular Effects of PD Mutations

Onde foi divulgada: periódico Science Translational Medicine

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Quem fez: Zejuan Sheng, Shuo Zhang, Daisy Bustos, Tracy Kleinheinz, Claire E. Le Pichon, Sara L. Dominguez, Hilda O. Solanoy, Jason Drummond, Xiaolin Zhang, Xiao Ding, Fang Cai

Instituição: Genentech, empresa do grupo Roche

Resultado: Os pesquisadores desenvolveram um método para monitorar a atividade da proteína quinase LRRK2. Com isso, eles testaram um composto denominado G1023, que se mostrou capaz de bloquear a ação dessa proteína, relacionada ao Parkinson.

A doença de Parkinson acomete de 1 a 2% da população brasileira acima de 60 anos, e se caracteriza pelos sintomas motores (tremores no repouso, movimentos mais lentos e rigidez) e não-motores, como alterações de sono, do olfato e da função cognitiva e depressão.

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Genética – Atualmente, existem estudos que relacionam o Parkinson a fatores ambientais, mas ela ainda é considerada uma doença de causas genéticas. As alterações nos genes que a causam não são totalmente conhecidas, e podem surgir de forma hereditária ou esporádica (sem que haja um histórico familiar).

Um dos genes que tem sido relacionado à doença em diversos estudos é o responsável pela produção da proteína quinase LRRK2. De acordo com os pesquisadores, mutações nessa proteína estão ligadas ao aparecimento da doença e também ao aumento do risco de desenvolvê-la, mas o mecanismo envolvido nesse processo ainda não é conhecido, bem como a função da proteína no organismo.

Estudo – Um dos desafios dos pesquisadores era monitorar a atividade da quinase LRRK2 nos neurônios, para estudar sua relação com o Parkinson. “Monitorar a atividade da quinase é tão importante quanto monitorar a temperatura na culinária. Assim como uma pessoa utiliza um termômetro para determinar a temperatura de um prato, os pesquisadores têm procurando um termômetro para medir a atividade dessa proteína no cérebro de camundongos e em culturas de células”, afirma Don Kirkpatrick, pesquisador da Genentech.

No estudo, os pesquisadores conseguiram desenvolver esse termômetro, feito de anticorpos que ajudam a estimar a presença dessa proteína. “Uma vez que tínhamos esse termômetro, nós o usamos para verificar como cada um dos componentes que nós testamos afetava a atividade da quinase”, diz Kirkpatrick. Dessa forma, eles perceberam que o composto denominado G1023 poderia bloquear a ação da quinase. Porém, para o pesquisador, mais estudos serão necessários para demonstrar que o bloqueio da quinase pode reverter a progressão da doença.

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Opinião do especialista

Erich Fonoff

Professor de neurologia da Universidade de São Paulo e neurocirurgião do Hospital das Clinicas

“A quinase LRRK2 sabidamente tem relação com a doença de Parkinson. Uma mutação faz com que ela se expresse de modo alterado e é um dos elos na cascata de eventos moleculares que culminam na morte das células dopaminérgicas, relacionadas ao controle dos movimentos.

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“Para que a doença se desenvolva, uma cadeia de eventos deve ocorrer. Se essa cadeia for em série, e uma etapa depender necessariamente da anterior, ao bloquear uma delas se poderá aniquilar a cadeia e parar o processo de morte celular. Mas, na verdade, nós não sabemos se essa cadeia ocorre em série ou em paralelo. O bloqueio de uma proteína como essa pode significar um auxilio para que isso não ocorra, mas é difícil prever, porque não sabemos o quão parecido é o modelo de Parkinson em animais com o do ser humano.

“Além disso, mais de 50% das células dopaminérgicas devem ter morrido para que o paciente comece a apresentar os primeiros sintomas motores. Por essa razão, a gente acabaria bloqueando uma cascata de eventos em alguém que já esta doente há muito tempo. Para que qualquer tentativa de cura seja feita é necessário que o diagnóstico seja mais precoce, e isso também tem sido alvo de muitas pesquisas”.

*O conteúdo destes vídeos é um serviço de informação e não pode substituir uma consulta médica. Em caso de problemas de saúde, procure um médico.

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