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Chega de padecer no paraíso

Ganha força entre as mulheres com bebês pequenos o hábito de expor sem culpa as agruras da maternidade. Os relatos ajudam as mães a lidar com uma das fases da vida mais conturbadas e impregnadas de tabus

Quando o parnasianismo celebrava o cotidiano de modo rebuscado e pomposo, nos estertores do século XIX, o poeta Coelho Neto nos ensinou que ser mãe era “desdobrar fibra por fibra o coração”. Foi assim durante boa parte do século XX, até que o piauiense Torquato Neto, prenhe de ironia, escreveu Mamãe, Coragem para que Gal cantasse no disco Tropicália, de 1968, com uma correção imposta pelos novos tempos: “Ser mãe é desdobrar fibra por fibra os corações dos filhos”. De lá para cá, com a chegada da mulher ao mercado de trabalho e a luta pela igualdade de gêneros, a maternidade desceu do altar intocável onde sempre esteve. Em tempo de redes sociais como caixa de ressonância de tudo aquilo que antes tínhamos vergonha de confessar, o mágico e indescritível momento de dar à luz um bebê, e por meio dele reinventar vidas, já autoriza desabafos, lamentos e até humor.

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