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Chances da dengue tipo 4 se espalhar pelo país são grandes, dizem especialistas

Vírus volta a infectar pessoas no Brasil após 28 anos

Os sintomas causados pelos quatro tipos do vírus são os mesmos: dor de cabeça, febre, dores no corpo, náuseas e vômito

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira um total de seis novos casos de dengue tipo 4 no estado de Roraima, totalizando 10 casos confirmados. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a informação foi ratificada pelo Instituto Evandro Chagas, de Belém, após a análise de amostras de 70 casos suspeitos. O surgimento de novos casos levanta dúvidas sobre a gravidade da infecção pelo DEN-4, que reapareceu no Brasil depois de 28 anos. Especialistas consultados pelo site de VEJA alertam que as chances de que o vírus circule no país são grandes, porém, reiteram que o tipo 4 não é mais potente que os outros três – o problema está na falta de imunização.

Perguntas e respostas sobre a dengue

“A preocupação existe porque o vírus não circula há muito tempo. As pessoas não estão imunizadas, então podemos ter casos mais complicados”, explica Francisco Aoki, do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas. Por exemplo, se a pessoa for contaminada uma vez com o tipo 1 do vírus da dengue e depois com o tipo 4, ela pode desenvolver a dengue hemorrágica, que é o quadro mais grave e mais letal da doença. “Toda vez que você tem a somatória de dois vírus, há uma possibilidade maior de ocorrer uma queda de plaquetas e um sangramento”, explica Paulo Olzon, infectologista e chefe da disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Joel Lima, gerente do Núcleo Estadual de Dengue e Febre Amarela da Secretaria Estadual de Saúde de Roraima, explica que os sintomas causados pelos quatro tipos do vírus são os mesmos: dor de cabeça, febre, dores no corpo, náuseas e vômito. “Independentemente do tipo do vírus, a população precisa ficar atenta. Se aparecerem os sintomas, é preciso buscar assistência médica”, completa.

De acordo com Lima, o tipo 4 pode viajar entre os estados já que uma pessoa contaminada pelo vírus é capaz de infectar o mosquito, que contaminará as próximas pessoas que picar. “As autoridades de saúdes locais precisam saber se a pessoa viajou para algum local de risco, retornou para a cidade de origem e apresentou os sintomas”, alerta.