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CFM diz que saúde é subfinanciada no Brasil

Conselho Federal de Medicina defende investimentos em infraestrutura e criação de carreira para médico do Sistema Único de Saúde

Por Jones Rossi 10 fev 2011, 08h11

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou nota apontando o “crônico subfinanciamento” e a “necessidade de modernização de instrumentos de gestão” da saúde pública no país como principais razões dos problemas apontados pela pesquisa do Ipea sobre o Sistema Único de Saúde divulgada ontem. A pesquisa mostrou que, segundo opinião dos próprios usuários do SUS, os principais problemas são a falta de médicos e a demora entre o agendamento e a realização de consultas e exames. A entidade voltou a fazer referência à emenda constitucional número 29, que, se aprovada, deve estabelecer limites mínimos de investimento em saúde.

“Falta acesso à saúde no Brasil porque faltam médicos”, disse a VEJA o cirurgião Mauro Luiz de Britto, conselheiro do CFM pelo Mato Grosso do Sul. Na verdade, explica Mauro, há um número suficiente de médicos para atender a população, mas existe um desequilíbrio gigante entre as regiões do país. “Enquanto 50% estão concentrados na região Sudeste, somente 10% estão nas regiões Norte e Centro-Oeste.”

Carreira – O CFM ressaltou a criação de uma carreira para os médicos no SUS, como já ocorre com juízes e promotores. A proposta, atualmente em debate pelo Ministério da Saúde, prevê a contratação de médicos por concurso público e dedicação exclusiva.

Segundo Britto, só assim seria possível reverter as desigualdades regionais e também as que são vistas dentro das grandes cidades, onde poucos médicos atendem a periferia. “Além da carreira, é preciso infraestrutura. Não adianta colocar um médico com estetoscópio em um posto de saúde. É preciso condições mínimas para trabalhar. Este é o grande entrave.”

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