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Casos de dengue serão mais graves no próximo verão

O secretário Nacional de Vigilância em Saúde participou de evento no Rio para explicar as medidas contra a provável epidemia

Por Cecília Ritto - Atualizado em 24 Maio 2016, 16h35 - Publicado em 18 out 2011, 20h15

“Temos o problema de segurança nas grandes cidades. As pessoas às vezes não querem deixar o agente de endemia entrar. Como o mosquito voa até dois quilômetros, basta haver um terreno baldio acumulando lixo ou uma casa fechada para que todo o quarteirão esteja sob risco”, explica Jarbas Barbosa

O secretário Nacional de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou nesta terça-feira que os casos de dengue grave devem aumentar no próximo verão. Quem já foi infectado por algum tipo de dengue e é contaminado por outro provavelmente terá a doença ainda mais forte. “Talvez não cheguemos a um milhão de casos de dengue, como em 2010. Mas, como o sorotipo 4 entrou no país, há probabilidade de ocorrerem casos mais graves”, afirmou o secretário durante passagem pelo Rio de Janeiro. Barbosa esteve durante a tarde desta terça-feira com secretários municipais de saúde e prefeitos fluminenses para detalhar as medidas do governo federal em relação à doença.

Segundo Barbosa, o tipo 4 se dissemina mais lentamente do que os outros três. Por isso, ainda não produziu uma epidemia “explosiva”. Essa disseminação deve acontecer no verão, quando as altas temperaturas misturadas com a chuva ajudarão as larvas a se proliferarem. Para piorar, praticamente toda a população estará suscetível ao novo vírus. Com a dificuldade dos agentes em inspecionar casas, a explosão relatada por Barbosa tem tudo para acontecer agora.

“Temos o problema de segurança nas grandes cidades. As pessoas às vezes não querem deixar o agente de endemia entrar. Como o mosquito voa até dois quilômetros, basta haver um terreno baldio acumulando lixo ou uma casa fechada para que todo o quarteirão esteja sob risco”, explica o secretário Nacional de Vigilância.

No Rio de Janeiro, o pedido do secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, é para que os agentes trabalhem sábado e domingo com o objetivo de diminuir o número de pendências de vistorias. Como muitas pessoas não estão em casa nos dias úteis, os endereços poderão ser visitados no fim de semana. “Trabalhamos para o pior e esperamos o melhor”, diz Côrtes.

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O alerta do Ministério da Saúde é para que as pessoas acreditem que haverá uma epidemia. Os anos sem surtos de dengue dão a sensação de que o perigo passou. “Na verdade, o mosquito continua ali só esperando entrar um novo sorotipo para haver nova epidemia”, diz Barbosa.

Para minimizar os efeitos da dengue tipo 4 no Brasil, o ministério repassará mais 90 milhões aos 980 municípios com maior risco de disseminação da doença, além dos 350 milhões já investidos. A pasta gastou, este ano, 40 milhões com campanhas de alerta à dengue.

Vacina– A vacina contra a dengue deve ficar pronta até 2015. No entanto, ela não será disponível para todos. Haverá apenas 10 milhões de doses no mundo, sendo que cada pessoa deve tomar três para garantir a imunidade. Segundo Barbosa, o caminho mais promissor é a técnica desenvolvida na Austrália, que neutraliza a ação do mosquito transmissor da dengue e será desenvolvida no Brasil pela Fiocruz. “O mosquito será infectado por uma bactéria e deixará de ser o vetor da doença”, disse.

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