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Carta ao Leitor: O antídoto da ciência

Não há mais nenhuma dúvida de que as vacinas são a melhor arma de combate contra a ômicron

Por Da Redação Atualizado em 3 dez 2021, 10h30 - Publicado em 3 dez 2021, 06h00

O mundo passou os últimos dias em estado de alerta diante da possibilidade de uma quarta onda de Covid-19, desencadeada pela ômicron. A disseminação de uma nova e mais contagiosa cepa do vírus provocou a sensação de que a doença é um pesadelo sem fim, pois a notícia chega em um período em que boa parte do planeta já se encontra em estágio avançado de retomada da normalidade. Isso depois de um longo período de confusão, incerteza e medo. Foram mais de 5 milhões de mortes no decorrer de quase dois anos, o que já coloca esta pandemia como uma das mais letais da história. As primeiras reações diante da descoberta provocaram impactos consideráveis. Barreiras sanitárias começaram a ser reerguidas, bolsas de valores despencaram e a realização de eventos com multidões entrou novamente em xeque.

Ainda é muito cedo para avaliar o potencial de estrago da ômicron. Até a quinta passada, 2, embora a cepa tenha sido identificada em mais de uma dezena de países, incluindo o Brasil, não haviam sido registradas mortes provocadas por ela. Em meio a algumas reações mais irracionais, felizmente, prevaleceram os movimentos certeiros de contenção disparados de forma rápida na direção do inimigo originário do continente africano, com destaque para os sistemas de vigilância sanitária. Ao contrário do cenário desconhecido do início de 2020, que pegou autoridades e especialistas de surpresa, agora há um modelo de detecção do perigo muito mais acurado e protocolos de combate ao vírus amplamente testados. Mesmo que ele se apresente sob a forma de uma nova variante, a experiência dos últimos dois anos tem sido valiosa nos primeiros movimentos contra a ômicron.

Dentro dessa expertise acumulada, não há mais nenhuma dúvida de que as vacinas são a melhor arma de combate. A notícia que trouxe algum alívio nas últimas semanas é que ninguém está perdendo tempo nesse campo. Enquanto pesquisadores se mobilizam para medir o impacto real da variante, os laboratórios responsáveis pelos atuais imunizantes já começaram a correr para adaptá-los em caso de necessidade a essa cepa. Num cenário de futuro próximo mais benigno, graças aos fármacos, a ômicron terá sua letalidade controlada, a despeito da ocorrência de picos de contaminação. Até no Brasil, que perdeu tempo demais com falsas soluções mágicas propagandeadas pelo governo federal, com destaque para a cloroquina, houve adesão em massa à vacinação. Segundo estudo recente do Banco Mundial, o país é o que apresenta a menor taxa de rejeição aos imunizantes na América Latina. Não por acaso, os índices da doença vêm caindo por aqui de forma consistente. Não por acaso também que a ômicron tenha surgido no continente africano, onde o índice de imunização da população é um dos mais baixos do planeta, fruto da desigual distribuição de vacinas, que deixou as nações mais pobres para trás. Convém agora reforçar o estado de atenção, sem alarmismo exagerado — e, novamente, confiar no antídoto produzido pela ciência.

Publicado em VEJA de 8 de dezembro de 2021, edição nº 2767

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