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Canetas emagrecedoras: testes genéticos ajudam a prever a resposta ao tratamento?

O que há de ciência e o que há de marketing por trás das promessas na internet

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jul 2026, 09h00 | Atualizado em 21 jul 2026, 15h48
Canetas emagrecedoras: testes genéticos ajudam a prever a resposta ao tratamento? Priorizar nos meus resultados Google

Tenho visto propagandas de testes de DNA para “apoiar” o uso de semaglutida e tirzepatida — as famosas canetas emagrecedoras.

A proposta é sedutora: um exame de sangue ou saliva que ajudaria médico e paciente a escolher a dose certa e evitar efeitos colaterais. Mas o que a ciência realmente sabe sobre genética e resposta a esses medicamentos é bem mais modesto do que a publicidade sugere.

O estudo mais robusto já publicado sobre o tema, feito pelo 23andMe Research Institute com quase 28 mil pessoas e divulgado na revista Nature, identificou uma variante no gene do receptor de GLP-1 associada a maior perda de peso.

Só que o ganho extra é pequeno: cerca de 0,76 kg a mais por cópia do alelo favorável. E mesmo somando essa informação genética a fatores clínicos como idade, sexo e IMC, o conjunto explica apenas cerca de um quarto da variação na resposta ao tratamento. Ou seja: três quartos do motivo pelo qual uma pessoa emagrece mais que outra continuam sem explicação — genética ou não.

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Há também o outro lado da moeda que a propaganda dificilmente menciona: a mesma variante do GLP1R ligada a mais perda de peso também aparece associada a mais náusea e vômito, e pessoas com variantes de risco em dois genes diferentes tiveram chance muito maior de apresentar vômito com tirzepatida.

Prever “melhor resposta” genética pode, na prática, significar prever mais efeito colateral também.

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E existe uma pergunta que nenhum exame de DNA responde: o que é, afinal, “boa resposta”? Para uma pessoa, pode ser perder 15% do peso. Para outra, o sucesso é normalizar a glicemia, respirar melhor à noite ou reduzir o risco de infarto — independente do ponteiro da balança.

Um estudo recente com pacientes cardiovasculares mostrou benefício de mortalidade e proteção ao coração mesmo sem relação direta com a quantidade de peso perdida, sugerindo que esses remédios agem por caminhos que vão além do emagrecimento. Um teste genético focado só em “quantos quilos” se perde ignora essa complexidade.

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Isso não quer dizer que a pesquisa genética não tenha valor — ela é promissora e pode, no futuro, ajudar a personalizar tratamentos. O problema é o descompasso entre o estágio atual da ciência e a forma como esses exames são vendidos ao público, como se já fossem capazes de indicar, com precisão, quem vai responder bem ou mal a uma caneta emagrecedora. Isso ainda não é verdade.

Portanto, a recomendação não tem mistério: converse com seu médico. Ele pode avaliar sua história clínica, seus objetivos e ajustar dose e acompanhamento — sem depender de uma promessa genética que a ciência ainda não sustenta.

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Canetas emagrecedoras e o futuro da luta contra obesidade

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