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Canetas emagrecedoras e queda de cabelo: estudo lança luz sobre esse possível efeito

Estudo americano relaciona medicamentos para perda de peso a maior chance de queda de cabelo - mas ela é reversível

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 10h00 | Atualizado em 28 jul 2026, 15h37
Canetas emagrecedoras e queda de cabelo: estudo lança luz sobre esse possível efeito Priorizar nos meus resultados Google

A paciente notou primeiro no ralo do chuveiro. Depois, na escova, no travesseiro, no vão entre os dedos. Perdeu 14 quilos em seis meses com uma caneta de GLP-1 e comemorava cada número a menos na balança. Até perceber que talvez estivesse perdendo mais do que o peso. Sim, ela encarava uma queda de cabelo.

A cena se repete em consultórios e casas de todo o país. E agora tem nome, número e assinatura científica: um estudo publicado na revista médica British Medical Journal traz evidências de que medicamentos como semaglutida e tirzepatida realmente podem aumentar o risco de queda de cabelo.

Na pesquisa, conduzida pela Universidade da Pensilvânia, nos EUA, os cientistas usaram prontuários eletrônicos de mais de 50 000 pacientes com diabetes tipo 2 tratados entre 2019 e 2024, comparando quem usava canetas de GLP-1 com quem usava outras duas classes de remédios clássicos orais para diabetes (inibidores de SGLT-2 e de DPP-4).

Canetas emagrecedoras e o futuro da luta contra obesidade

A metodologia, chamada “emulação de ensaio clínico-alvo”, usa dados do mundo real e estatística para tentar reproduzir o que um ensaio clínico randomizado mostraria — já que não seria ético randomizar pacientes só para ver se o cabelo cai. É elegante, mas segue sendo um estudo observacional: mostra associação, não prova definitiva de causa e efeito.

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E os números? O risco relativo de queda de cabelo foi 37% maior entre usuários de GLP-1 do que entre os de SGLT-2, e 68% maior do que entre os de DPP-4. Mas, em termos absolutos, isso equivale a cerca de 6,9 casos de queda de cabelo clinicamente registrada para cada mil pessoas tratadas por um ano, contra 5 e 3,9 nos outros dois grupos.

Ou seja: duas a três pessoas a mais, em cada mil, por ano de tratamento. Um risco real, mas pequeno.

De uma maneira bem direta, sem dúvida os benefícios já conhecidos destas terapias tendem a superar os riscos.

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Por que o cabelo cai

O tipo de queda mais associado ao GLP-1 é o chamado eflúvio telógeno: uma queda difusa e temporária, que empurra mais fios para a fase de descarte do ciclo capilar, sem destruir o folículo. Na maioria dos casos, o cabelo volta a crescer.

Uma revisão sistemática sobre emagrecimento e queda dos fios, baseada em 24 estudos, detectou que, quanto maior a perda de peso, maior a chance de o tal do eflúvio telógeno se manifestar. Aliás, a tirzepatida, ligada às perdas de peso mais expressivas entre os agonistas de GLP-1, foi a mais relacionada a esse tipo de problema capilar.

O motivo é conhecido da dermatologia e não é exclusivo das canetas: perda de peso rápido, dietas restritivas e cirurgias bariátricas também costumam desencadear a queda de cabelo. O corpo interpreta o emagrecimento mais acelerado como um estresse fisiológico, e um dos efeitos desse alarme interno é empurrar mais fios para fora do ciclo de crescimento.

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Falta de vitaminas

Aqui mora um ponto essencial para quem está em tratamento com GLP-1. O próprio estudo americano aponta que a perda rápida de peso pode causar deficiência de ferro e de zinco, nutrientes fundamentais para o ciclo capilar.

Somado a a isso temos a supressão de apetite, típica desses medicamentos, que reduz a ingestão alimentar e pode agravar carências de biotina, vitamina D e B12.

Na prática, a queda de cabelo em quem usa GLP-1 pode ter mais de uma causa: o efeito direto do medicamento, o estresse do emagrecimento rápido e uma deficiência nutricional silenciosa que ninguém foi checar.

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Prevenção e tratamento capilar

Não existe fórmula que blinde 100% quem usa GLP-1 contra a queda de cabelo, mas algumas medidas ajudam a reduzir o impacto e acelerar a recuperação:

— Ritmo de emagrecimento: perder peso de forma mais gradual, dentro do que o médico considerar seguro, reduz o estresse fisiológico que dispara o eflúvio telógeno;
— Proteínas e calorias suficientes: mesmo com menos apetite, manter a ingestão de proteína importa — é o principal componente da queratina, a proteína do fio;
— Correção de deficiências: quando exames mostram ferro, zinco, vitamina D ou B12 baixos, repor essas substâncias, na dose orientada pelo médico, é a intervenção com maior evidência de ajudar a estancar a queda;

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— Minoxidil tópico: é o tratamento dermatológico mais estudado para eflúvio telógeno e alopecia androgenética, e pode ser indicado quando a queda persiste por vários meses;
— Cuidado com o fio: evitar química agressiva, excesso de calor e escovação puxada enquanto o cabelo está mais frágil limita a quebra somada à queda;
— Suplementos nutricionais: há no mercado produtos que combinam biotina, zinco, vitamina D, colágeno hidrolisado, ácido hialurônico e outros voltados à saúde capilar e da pele. Vale entender, com o médico ou nutricionista, se eles podem ajudar no seu caso.

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