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Canetas antiobesidade: PF desarticula esquema milionário que atuava em 12 estados

Balanço de ação da Polícia Federal e da Anvisa em 12 estados encontrou substâncias que colocam saúde em risco

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 abr 2026, 10h56
Canetas antiobesidade: PF desarticula esquema milionário que atuava em 12 estados Priorize VEJA no Google

O balanço da Operação Heavy Pen, com foco em versões ilegais de canetas antiobesidade à base de semaglutida e tirzepatida, deflagrada na última terça-feira, 7, desarticulou um esquema milionário que atuava em 12 estados e revelou irregularidades em clínicas, importadoras e farmácias de manipulação, como produção de medicações manipuladas sem prescrição médica, presença de substância ainda em teste e de anestésicos com potencial de causar dependência e levar à morte, como o fentanil.

A ação foi realizada pela Polícia Federal em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e localizou insumos para a produção de mais de 1 milhão de canetas injetáveis, além da movimentação financeira de um montante de R$ 4,8 milhões em 12 estados: Acre, Espírito Santo, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, de Roraima, do Rio Grande do Norte, de São Paulo, de Sergipe e de Santa Catarina. Ao todo, foram 45 mandados de busca e apreensão.

Os agentes encontraram retatrutida, agonista triplo do GLP-1, GIP e glucagon, que está em testes pela mesma farmacêutica detentora da patente do Mounjaro, e que ainda não recebeu registro de nenhuma agência reguladora do mundo, ou seja, não pode ser comercializada nem utilizada. A substância foi apreendida em Goiás e foi registrada em notas fiscais encontradas em empresas no estado de São Paulo.

“Na inspeção de uma das importadoras da região metropolitana de São Paulo, foram identificados R$ 4,8 milhões em possíveis transações irregulares a partir de notas fiscais recolhidas. O montante incluiu a movimentação de 3,5 kg de tirzepatida, suficientes para produzir mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis, e 14 g de retatrutida, discriminadas no valor de R$ 39 mil”, informou, em nota, a Anvisa.

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Mounjaro irregular e anestésico

Durante a fiscalização, equipes da Anvisa localizaram mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados irregularmente e 509 gramas do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) do princípio ativo.

“Durante a ação, também foram apreendidas mais de 37 mil ampolas de outras substâncias — 34.407 produtos manipulados sem prescrição e 2.936 de Lipo Blend (composto de HMB, cromo, taurina e outros)”, diz a nota.

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No Pará, o princípio ativo do Mounjaro (tirzepatida) foi encontrado em um consultório odontológico que funcionava dentro de uma academia. Também no estado, os agentes localizaram relógios, carros e motos de alto padrão, além de substâncias que causam risco de dependência e podem matar: propofol e fentanil e outros anestésicos de alta letalidade.

Anvisa fecha cerco contra canetas antiobesidade irregulares

Nesta semana, a Anvisa anunciou um pacote de medidas para conter o comércio irregular de canetas antiobesidade à base de semaglutida e tirzepatida. O plano de ação, que será deliberado no próximo dia 15, conta com seis eixos, que vão da parceria com agências reguladoras internacionais à aceleração da aprovação do registro de novas canetas contra obesidade com comprovação de segurança e eficácia.

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Segundo a Polícia Federal, o número de apreensões de canetas contra a obesidade irregulares tem aumentado ano após ano. Em 2024, foram 609 unidades, quantidade que saltou para 60.787 em 2025. Neste ano, até março, foram 54.577 unidades, quase 90% de todo o montante apreendido no ano passado.

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