Câncer de pulmão: três medicamentos de alto custo entram para lista do SUS
Ministério da Saúde prevê oferta de brigatinibe, gefitinibe e durvalumabe a partir de outubro; um dos remédios foi incorporado em 2013
O Ministério da Saúde anunciou na tarde desta segunda-feira, 31, que o Sistema Único de Saúde (SUS) vai ofertar três medicamentos de tecnologia avançada para o tratamento de câncer de pulmão. Está prevista a entrega gradual das terapias-alvo orais brigatinibe e gefitinibe, e da imunoterapia durvalumabe a partir de outubro.
A pasta estima que 1 900 pacientes devem ser beneficiados com a chegada das medicações na rede pública. Todos os remédios são indicados para casos de câncer de pulmão de células não pequenas, o tipo que atinge 80% a 85% dos pacientes, em estágio avançado.
O brigatinibe e gefitinibe são terapias-alvo orais que “atacam” mutações específicas das células cancerígenas. Juntos, de acordo com o ministério, os medicamentos custam R$ 604,2 mil por ano na rede particular.
O brigatinibe recebeu aval da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) no ano passado e, como os demais tratamentos dessa leva de oferta na rede pública, faz parte da AF-Onco (Assistência Farmacêutica em Oncologia), iniciativa para ampliação do acesso a tratamentos de ponta na rede pública.
Segundo o ministério, a estratégia prevê oferta de 23 medicamentos de alto custo contra o câncer, uma ampliação de 35% na oferta de tratamentos no SUS.
“A viabilização da oferta de medicações mais modernas para o câncer de pulmão no SUS é extremamente importante. Nós já sabemos que o acesso pode melhorar a eficácia do tratamento e, inclusive, impactar na sobrevida dos pacientes”, destaca William Nassib William Jr, líder nacional da especialidade de tumores torácicos da Oncoclínicas.
Imunoterapia
O durvalumabe é uma imunoterapia, tipo de tratamento que intensifica o potencial do sistema imunológico de combater os tumores.
Esse tratamento será indicado para pacientes diagnosticados com câncer de pulmão em estágio III que não podem realizar cirurgia. Sozinha, a medicação custa R$ 643 mil por ano na rede privada. Ela teve respaldo de estudos que apontaram benefícios para o tempo de vida dos pacientes para ter o sinal verde da Conitec.
No parecer para incorporação dessa imunoterapia no SUS, de 2024, um dos argumentos utilizados foi de que “os custos com paciente de câncer de pulmão são altos e durvalumabe traz uma previsibilidade de tratamento de um ano e sobrevida superior a cinco anos”.
Espera desde 2013
No próprio anúncio do Ministério da Saúde, houve um destaque para a demora na oferta de um dos medicamentos “com mais de 12 anos de espera”. É o caso do gefitinibe, que recebeu o sinal positivo para incorporação no SUS em 2013.
É um exemplo de que o aval da Conitec, muitas vezes com prazo de 180 dias para oferta na rede pública, não garante a chegada imediata dos remédios aos pacientes.
No caso desse anúncio, o ministério informou que está trabalhando para agilizar os processos.
“Estamos em diálogo contínuo com a indústria farmacêutica para viabilizar, da forma mais ágil possível, a oferta desses medicamentos no SUS. ”, disse, em nota, a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri. “A ampliação das opções de tratamento é fundamental para fortalecer o cuidado e representa um avanço na assistência oncológica, com potencial para beneficiar ainda mais pacientes e salvar vidas.”







