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Caminhada rápida ou corrida reduzem pela metade o risco de síndrome metabólica

Pesquisa ainda concluiu que é a intensidade do exercício físico, e não a duração, que proporciona esse efeito

Por Da Redação - 9 out 2012, 10h02

Um novo estudo feito na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, mostrou que a prática de duas horas semanais de atividades físicas como corrida de carga moderada ou caminhada rápida pode chegar a diminuir pela metade o risco de síndrome metabólica. Essa condição reúne alguns dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares – portanto, eliminar esse problema de saúde é uma forma eficaz de evitar o surgimento de eventos como ataque cardíaco e derrame cerebral.

No entanto, os autores alertam que a fonte do benefício está na intensidade da atividade, e não no tempo de duração. Ou seja, ao contrário do que diversos trabalhos já mostraram, o mesmo efeito não vale para uma caminhada leve, por exemplo. As conclusões foram publicadas nesta segunda-feira no periódico BMJ Open.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Intensity versus duration of physical activity: implications for the metabolic syndrome. A prospective cohort study

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Onde foi divulgada: periódico BMJ Open

Quem fez: Adam Hoegsbro Laursen, Ole P Kristiansen, Jacob Louis Marott, Peter Schnohr e Eva Prescott

Instituição: Universidade de Copenhagen, na Dinamarca

Dados de amostragem: 10.135 homens e mulheres de 21 a 98 anos de idade

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Resultado: Praticar duas horas semanais de atividades físicas de carga moderada, como caminhada rápida ou corrida moderada, podem reduzir em até 50% o risco de síndrome metabólica. Exercícios leves, como caminhadas, não parecem ter esse benefício.

Para que uma pessoa seja diagnosticada com síndrome metabólica, ela deve se enquadrar em três ou mais das seguintes características: hipertensão, índice de açúcar elevado no sangue, excesso de gordura abdominal, baixo nível de bom colesterol e índices elevados de ácidos graxos. Esses problemas predispõem o paciente a doenças cardiovasculares, ao diabetes e – quando as doenças ocorrem associadamente – à morte prematura.

Participaram da pesquisa mais de 10.000 pessoas de 21 a 98 anos. Elas foram avaliadas e acompanhadas ao longo de dez anos, período durante o qual responderam a questionários sobre frequência e intensidade de prática de atividade física. No início do estudo, 20% das mulheres e 27% dos homens tinham síndrome metabólica, e a prevalência da condição estava fortemente associada aos níveis de atividade física – quanto mais sedentário, maior a prevalência do distúrbio.

Quando a pesquisa terminou, essa relação continuou a mesma – com desvantagem para quem caminhava menos. Enquanto cerca de dois em cada dez indivíduos sedentários tinha a síndrome, somente uma em cada dez pessoas fisicamente ativas que participaram do estudo – ou seja, metade – apresentava o problema.

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Esses resultados valeram para a prática de duas horas semanais de atividades com intensidade moderada, como corrida e caminhada rápida. Não houve diferença, no entanto, entre as pessoas sedentárias e as que praticaram caminhadas leves, mesmo se praticadas durante uma hora todos os dias. “Nossos resultados confirmam o papel da atividade física na redução do risco de síndrome metabólica e sugerem que a intensidade, e não a quantidade do exercício, é o que deve ser levado em consideração.”

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