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Camila Queiroz diz que congelou células-tronco da filha, mas técnica não é ‘seguro de vida’; entenda

Material coletado pode ser usado em transplantes para doenças do sangue, mas Anvisa alerta que armazenamento em bancos privados tem indicações restritas

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jul 2026, 13h52 | Atualizado em 8 jul 2026, 14h27
Camila Queiroz diz que congelou células-tronco da filha, mas técnica não é ‘seguro de vida’; entenda Priorizar nos meus resultados Google

A atriz Camila Queiroz contou que decidiu armazenar as células-tronco de sua filha, Clara, fruto do casamento com Klebber Toledo. Em uma publicação nos Stories do Instagram, a artista afirmou que a coleta do material aconteceu no momento do parto e que a decisão foi motivada, principalmente, pelo futuro da criança. “Para nós, foi uma escolha muito consciente, muito pensada e pensando principalmente no futuro da Clara”, disse.

As células-tronco do sangue do cordão umbilical e da placenta são usadas principalmente em transplantes para tratar doenças hematológicas, como leucemias, linfomas e outras alterações da medula óssea. Ter esse material armazenado em um banco privado, porém, não é uma espécie de seguro de vida para os filhos, como explica uma cartilha sobre o tema lançada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2020.

O motivo é que a probabilidade de uma criança precisar das próprias células-tronco é extremamente baixa. De acordo com a agência, em famílias sem fatores de risco conhecidos, essa chance varia entre 0,04% e 0,0005% nos primeiros 20 anos de vida.

Além disso, em algumas doenças genéticas e em certos tipos de leucemia infantil, não é indicado usar células do próprio paciente, já que elas podem carregar a mesma alteração genética que causou a doença.

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O que diz cartilha da Anvisa

Os dados brasileiros reforçam esse cenário. Entre 2003 e 2018, por exemplo, mais de 144 mil unidades de sangue de cordão foram armazenadas em bancos privados no país, mas apenas seis foram utilizadas em transplantes da própria pessoa (autólogos) e dez em transplantes para parentes compatíveis.

A Anvisa ressalta ainda que ter as células armazenadas não garante acesso ao tratamento mais adequado quando ele for necessário, assim como não armazená-las não significa ficar excluído de futuras terapias celulares.

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Isso porque, atualmente, a maior parte dos transplantes utiliza células provenientes de doadores compatíveis cadastrados em bancos públicos, e muitas das pesquisas em medicina regenerativa são realizadas com células-tronco obtidas de outras fontes, como a medula óssea e o sangue periférico.

O potencial das células do cordão para tratar doenças como Alzheimer, Parkinson, lesão medular ou doenças cardíacas ainda é considerado promissor, mas permanece em investigação científica e não há evidências de que esses tratamentos venham a se tornar realidade clínica.

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A cartilha orienta ainda que a decisão de armazenar ou doar o sangue do cordão deve ser tomada com base em orientação médica e em informações científicas, e não apenas na expectativa de um benefício futuro.

Antes de contratar um banco privado, os pais devem esclarecer dúvidas sobre as reais indicações terapêuticas, as limitações atuais do armazenamento, o tempo de preservação das células, a quantidade de material coletado e as responsabilidades da empresa caso o material venha a ser utilizado. A agência também recomenda verificar se o estabelecimento possui licença sanitária vigente e segue as normas técnicas para coleta, processamento e armazenamento das células-tronco.

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