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Butantan deve entregar menos da metade das vacinas previstas para maio

Das 12 milhões de doses previstas, será possível entregar pouco mais de 5 milhões, segundo Dimas Covas, devido ao atraso na entrega da matéria-prima

Por Giulia Vidale Atualizado em 15 Maio 2021, 00h12 - Publicado em 14 Maio 2021, 12h03

O Instituto Butantan reduziu para menos da metade a previsão de entrega de doses da CoronaVac para maio. De acordo com o diretor instituto, Dimas Covas, devido ao atraso no envio de novas remessas do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), das 12 milhões de doses do imunizante previstas para este mês, devem ser entregues “pouco mais de 5 milhões de doses”. Para junho, estão previstas mais 6 milhões de doses.

O Butantan anunciou nesta sexta-feira, 14, a paralisação da produção de novas doses da vacina devido à falta de matéria-prima, o ingrediente farmacêutico ativo. Segundo Covas, a fabricação da CoronaVac está parada desde esta quarta-feira, 12, e como não há previsão de chegada do produto, que é importado da China, também não há previsão de novas doses.

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“No dia de hoje, pela manhã, eu conversei com os chineses e não houve, de fato, a liberação. Existe a notícia oficial da Fiocruz, que ela teve uma liberação para embarque no dia 22 e isso é uma boa notícia. Se começou a liberar, é possível que a gente também tenha uma boa notícia nos próximos dias”, disse o diretor do Butantan em entrevista de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira, 14.

Na quinta-feira, 13, a noite, a Fiocruz anunciou que receberá novos lotes de IFA nos dias 22 e 29 de maio para a produção da vacina contra Covid-19 de Oxford-AstraZeneca. Embora sejam vacinas diferentes, de fabricantes diferentes, a matéria-prima de ambas é importada da China e o envio depende de autorização do governo chinês.

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Atualmente, 10.000 litros de IFA para a fabricação da CoronaVac estão parados na China, aguardando liberação do governo para embarque. A quantidade é suficiente para a produção de cerca de 18 milhões de doses. Segundo Dias, esses 10.000 litros correspondem ao que falta para maio e ao que está previsto para junho. “Se o IFA chegar muito rapidamente, vamos cumprir. Vamos recuperar o cronograma de maio e cumprir o cronograma de junho”, reassaltou.

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O anúncio é preocupante e se a produção não for retomada logo, haverá um imenso impacto na campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil. A CoronaVac corresponde a cerca de 70% das vacinas administradas no país até o momento e o intervalo de aplicação entre as doses é curto – entre 21 e 28 dias. Diversos estados já enfrentam atraso na aplicação da segunda dose devido à falta da vacina e a situação deve piorar o nos próximos dias. As duas doses são necessárias para completar o esquema vacinal e garantir a imunização.

Na manhã desta sexta-feira, o Instituto Butantan entregou 1,1 milhão de vacinas ao Ministério da Saúde. O novo lote representa a primeira remessa do segundo contrato assinado com o Ministério da Saúde, de 54 milhões de doses.

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