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Brasil vai desenvolver exame definitivo para hanseníase

Teste, feito a partir de uma gota de sangue do paciente, fornece resultados em dez minutos. Essa será a primeira forma definitiva de diagnosticar a doença

Por Da Redação 21 fev 2013, 11h22

Um teste rápido e barato para diagnóstico de hanseníase, apontado como promissor na redução de casos da doença, deve começar a ser usado no Brasil ainda neste ano. Desenvolvido em parceria pelo Instituto de Pesquisas Infecciosas (Idri), dos Estados Unidos, e a empresa brasileira OrangeLife, o exame é feito em menos de dez minutos e a partir de apenas uma gota de sangue do paciente.

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HANSENÍASE

A hanseníase, conhecida também como lepra ou doença de Hansen, é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobaterium leprae. Ela danifica a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas é longo, pois a bactéria que causa a doença se reproduz lentamente, e varia de dois a cinco anos.

Entre os sintomas estão manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo e áreas da pele que não coçam. Há também sensação de formigamento e dormência, com diminuição ou ausência de dor, da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque.

Segundo o Ministério da Saúde, todos os casos de hanseníase têm tratamento e cura. As desfigurações e incapacidades físicas causadas pela doença podem ser evitadas com o diagnóstico precoce e o tratamento imediato.

A forma de transmissão ainda não é totalmente compreendida, mas contatos breves parecem não ser suficientes para transmitir a doença, que atinge cerca de 1 milhão de pessoas no mundo.

Atualmente, não existe um exame definitivo para identificar a hanseníase, o que dificulta o diagnóstico precoce. A detecção da doença é feita a partir da avaliação clínica, em que o médico avalia sintomas como a presença de manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas na pele, e por um exame do tecido cutâneo que identifica a presença da bactéria que provoca a doença.

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De acordo com Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, o novo teste, além de aumentar a chance da detecção precoce da doença, dará maior agilidade para a busca por pessoas que tiveram contato com infectados. “Quanto mais rápida a identificação, maiores as chances de reduzir de forma significativa o número de casos”, diz o secretário.

“Os grandes avanços no tratamento de doenças geralmente são constatados em duas ocasiões: uma inovação tecnológica ou uma mudança de estratégia. Esse teste associa as duas situações”, diz Jarbas Barbosa.

O Brasil é um dos líderes mundiais em número de casos da doença. Em 2011, foram registrados 33.955 casos, sendo que 2.420 ocorreram em pessoas com menos de 15 anos – um indicador de que a transmissão continua ativa. Apesar do alto número de casos, diz Barbosa, a doença está concentrada em algumas regiões. “Boa parte dos médicos não tem familiaridade com a doença”, afirma. Isso faz com que muitos, para evitar erro na prescrição, indiquem o tratamento só quando o quadro está bem definido. No entanto, além de agravar a situação do paciente, tal comportamento permite contaminação.

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Inicialmente, o teste deverá ser feito em dois estados, a serem definidos. No páreo estão Ceará, Pernambuco e Mato Grosso. Na próxima semana, uma reunião entre representantes do governo e da OrangeLife dever ser feita para acertar os detalhes. Segundo Jarbas Barbosa, na primeira etapa, o teste será acompanhado por representantes de centros de referência. “Vamos avaliar como o teste se comporta no mundo real. Que tipo de treinamento profissionais terão de fazer para aplicar o teste, identificar eventuais dificuldades”, afirma.

Preço baixo – O presidente da OrangeLife, Marco Collovati, afirma que a unidade do teste não deverá custar mais de um dólar. Ainda não foi acertado quantas unidades poderiam ser usadas nessa primeira etapa. “Ele é muito fácil de ser usado. Além de informação ágil, ele pode dar maior independência para equipes de saúde”, diz.

O produto foi desenvolvido em 2012 nos Estados Unidos. Em dezembro, recebeu o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além do kit de diagnóstico, a empresa desenvolveu um aplicativo para ser usado em smartphones. O dispositivo, de acordo com Collovati, pode melhorar a interpretação do teste e facilitar o registro das informações em bancos de dados.

(Com Estadão Conteúdo)

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