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Brasil reduz número de crianças sem vacina, mas mundo ainda tem 13,5 milhões de bebês “zero-dose”

País passou de 255 mil para 50 mil crianças sem nenhuma dose em um ano, segundo relatório da OMS e do UNICEF

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 jul 2026, 14h00 | Atualizado em 15 jul 2026, 15h46
Brasil reduz número de crianças sem vacina, mas mundo ainda tem 13,5 milhões de bebês “zero-dose” Priorizar nos meus resultados Google

O Brasil reduziu de 255 mil para 50 mil o número de crianças que não receberam nenhuma vacina durante o primeiro ano de vida entre 2024 e 2025. A queda coloca o país entre aqueles que mais avançaram na redução das chamadas crianças “zero-dose”, grupo formado por bebês que não receberam sequer a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).

Os dados são das novas Estimativas OMS-UNICEF de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC), divulgadas nesta quarta-feira, 15. Segundo o relatório, o Brasil registrou a terceira maior redução absoluta no número de crianças “zero-dose” no período, atrás apenas de Sudão e Índia.

Apesar do avanço brasileiro, o cenário mundial ainda preocupa. Em 2025, cerca de 13,5 milhões de crianças continuaram sem receber nenhuma vacina no primeiro ano de vida. O número é menor do que o registrado em 2024, quando eram aproximadamente 14,2 milhões, mas permanece distante da meta global de imunização.

Além disso, cresce outro desafio: milhões de crianças iniciam o calendário vacinal, mas não o completam.

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Estima-se que 7,3 milhões de bebês tenham recebido a primeira dose da vacina DTP, mas abandonado o esquema antes da primeira dose da vacina contra o sarampo. O resultado: a cobertura vacinal contra a doença permaneceu estagnada em 84% para a primeira dose e 77% para a segunda, índices bem abaixo dos 95% considerados necessários para evitar surtos.

Em 2025, 57 países registraram grandes surtos ou surtos considerados disruptivos de sarampo.

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Avanços e gargalos

O relatório mostra uma melhora consistente da vacinação infantil no Brasil nos últimos anos. O número de crianças “zero-dose” caiu de 360 mil em 2023 para 255 mil em 2024 e chegou a 50 mil em 2025.

Segundo a OMS e o UNICEF, essa melhora é explicada por dois fatores principais: o aumento da cobertura vacinal em todo o país e o aperfeiçoamento dos sistemas públicos de registro e divulgação dos dados de vacinação, que passaram a refletir com mais precisão a situação da imunização no país.

Globalmente, a cobertura vacinal apresentou uma melhora discreta em 2025. Segundo o levantamento, 90% dos bebês, ou cerca de 116 milhões,  receberam ao menos uma dose da vacina DTP, enquanto 85% (110 milhões) completaram o esquema de três doses.

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Embora ambos os indicadores tenham aumentado um ponto percentual em relação ao ano anterior, a cobertura mundial continua praticamente estagnada há mais de uma década e ainda não alcançou o patamar registrado em 2019.

Para a diretora-executiva do UNICEF, Catherine Russell, a recuperação observada nos últimos anos ainda não foi suficiente para proteger as crianças mais vulneráveis.

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“Milhões de crianças continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza. Precisamos alcançar cada criança e reconstruir a confiança onde ela está se enfraquecendo. Nenhuma criança deveria sofrer de uma doença que uma simples vacina pode prevenir”, afirmou ela, em comunicado à imprensa.

Especialistas também alertam que os recentes cortes no financiamento internacional para programas de saúde podem comprometer novos avanços, dificultando tanto a vacinação quanto o monitoramento das crianças que ainda permanecem fora dos programas de imunização.

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