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Bonnie Tyler: entenda problema intestinal que causou morte da estrela dos anos 80

Artista morreu após complicações de uma perfuração intestinal causada pelo rompimento do apêndice; quadro é mais comum em idosos

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jul 2026, 12h44 | Atualizado em 10 jul 2026, 13h19
Bonnie Tyler: entenda problema intestinal que causou morte da estrela dos anos 80 Priorizar nos meus resultados Google

A cantora Bonnie Tyler, conhecida mundialmente pelo hit Total Eclipse of the Heart, morreu aos 75 anos, segundo informação publicada em seu site oficial nesta quinta-feira, 9. Ela estava internada em um hospital de Faro, no sul de Portugal, onde passou por uma cirurgia de emergência para tratar uma perfuração no intestino e permaneceu em coma induzido.

A perfuração intestinal ocorre quando surge um rompimento na parede do intestino. Com isso, fezes e bactérias que deveriam permanecer dentro do órgão vazam para a a região abdominal, provocando uma infecção grave. Em geral, pacientes jovens respondem bem ao tratamento, mas idosos e pessoas com a imunidade comprometida têm maior probabilidade de desenvolver complicações graves.

No caso da cantora, a perfuração no intestino aconteceu porque o seu apêndice havia se rompido em maio, segundo relatos da mídia internacional.

Depois da cirurgia para tentar corrigir o problema, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória quando os médicos iniciaram o processo de retirada do coma induzido. Ela foi reanimada, mas permaneceu internada. No mês passado, sua equipe informou que Bonnie havia despertado do coma, embora continuasse em estado grave na UTI.

Quadro é mais comum em idosos e pessoas com imunidade comprometida

O apêndice é uma pequena estrutura ligada ao intestino grosso. A inflamação desse órgão, conhecida como apendicite, é bastante comum em jovens e geralmente ocorre quando sua abertura é obstruída por algum motivo, como por uma pequena massa endurecida de fezes.

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Os sintomas mais típicos são dor no lado direito do abdome, perda de apetite e desconforto abdominal. Na maioria das vezes, o diagnóstico é feito durante o exame físico, quando o médico identifica dor na região, mas também pode ser confirmado por exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia.

No entanto, nem sempre o quadro é tão característico. “Em alguns casos, não é tão evidente assim, principalmente quando o apêndice está na posição que a gente chama de retrocecal, ou seja, atrás do ceco, que é a primeira parte do intestino grosso”, explica o gastrocirurgião Eduardo Grecco, professor e diretor de ensino do Centro Universitário FMABC.

Segundo o médico, esse quadro é mais comum em idosos e os sintomas podem ser mascarados, o que pode atrasar o diagnóstico. “A pessoa fica com aquela dor, não é tão evidente, às vezes acha que é cólica intestinal”, diz.

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Com isso, muitos pacientes demoram para procurar atendimento médico e chegam ao hospital com a doença em estágio avançado. À medida que a inflamação progride, o apêndice pode se romper, quadro que representa uma das fases mais avançadas da apendicite aguda.

Procurar atendimento médico logo nos primeiros sintomas é fundamental. “A chance de complicação de uma apendicite aguda tratada em fase precoce é muito, muito rara“, afirma Raphael di Paula, coordenador cirúrgico do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

A perfuração do intestino ocorre quando essa inflamação progride sem tratamento. É aí que o conteúdo intestinal extravasa para a cavidade abdominal, desencadeando uma infecção grave.

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Nos estágios iniciais da perfuração, o próprio organismo pode tentar limitar o problema. Tecidos ao redor do apêndice conseguem conter temporariamente o vazamento, impedindo que a infecção se espalhe por toda a cavidade abdominal. Esse mecanismo de defesa, porém, depende das condições de saúde do paciente. “Em idosos e pessoas com a imunidade comprometida, esse processo é menos eficaz”, afirma o médico.

O tratamento exige cirurgia de emergência. O procedimento pode consistir apenas no fechamento da perfuração, mas, quando os danos são extensos, pode ser necessária a retirada de parte do intestino. Nos quadros mais graves, o paciente precisa de uma colostomia, que desvia temporariamente — ou, em alguns casos raros, definitivamente — o trânsito intestinal para uma bolsa coletora.

Após a cirurgia, alguns pacientes precisam ser internados na UTI, podem necessitar de ventilação mecânica e, em situações críticas, permanecer sedados. Segundo Grecco, da FMABC, “as primeiras 48 e 72 horas são muito importantes” para avaliar a resposta ao tratamento e controlar a infecção.

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A evolução tende a ser mais delicada em idosos. “Os idosos têm menor resistência, mais debilidade. É diferente de uma perfuração no intestino em uma pessoa com 35 anos”, compara o especialista.

Diagnóstico precoce é fundamental

Apesar da gravidade, esse tipo de complicação tornou-se menos frequente graças ao diagnóstico precoce. “Hoje em dia, como os diagnósticos são mais precoces, não é uma coisa tão comum você ter quadros graves de perfuração”, afirma di Paula.

Como o quadro de apendicite em idosos pode não ser acompanhado de dor localizada, os especialistas alertam que qualquer dor abdominal persistente merece atenção, especialmente quando acompanhada de febre ou vômitos.

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“Se você toma analgésico e aquilo perdura, principalmente se for acompanhada de febre ou vômito, tem que procurar atendimento”, recomenda o médico.

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