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Banho de água fria: ‘desafio do balde de gelo’ arrecada 71 milhões de reais nos EUA e 75.000 reais no Brasil

Objetivo da campanha é arrecadar dinheiro para entidades de apoio à esclerose lateral amiotrófica

Por Patricia Orlando 20 ago 2014, 20h58

Desde segunda-feira, as redes sociais estão repletas de vídeos de celebridades – e pessoas anônimas – tomando banho de água fria. No “Desafio do balde de gelo”, as pessoas viram um balde de água gelada na cabeça e desafiam três amigos a fazer o mesmo. O objetivo da campanha é angariar recursos para entidades ligadas à esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa para a qual não existe cura e que atinge, no Brasil, 6 000 pessoas. O que se espera é que todos os desafiados, com o banho ou não, façam doações a partir de 100 dólares (226 reais). No Facebook, o viral resultou em 2,4 milhões de vídeos e mais de 28 milhões de interações sobre o tema. No ranking dos países que mais participaram, o Brasil ficou em sexto lugar.

De acordo com a ALS Association, ONG dedicada ao apoios dos pacientes e à pesquisa da moléstia, de 29 de julho a 20 de agosto, a entidade recebeu 31,5 milhões de dólares em doações (71,265 milhões de reais). No mesmo período do ano passado, o montante foi de 1,7 milhão de dólares. As doações vieram de 637 527 novos doadores.

No Brasil, as doações são encaminhadas para a Associação Pró-Cura da Ela, Associação Brasileira de Esclerosa Lateral Amiotrófica (Abrela) e Instituto Paulo Gontijo (IPG). Desde o início da campanha até esta quarta-feira, a Pró-Cura e a Abrela arrecadaram, juntas, 75.000 reais. O IPG, segundo sua assessoria de imprensa, não tem estimativa das doações.

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Em dois dias, a conta bancária da Pró-Cura da Ela recebeu 63.000 reais. Para efeito de comparação, de junho, quando foi fundada, a dezembro de 2013, a entidade movimentou 12.000 reais. Criada por familiares de portadores da doença, a ONG tem dez pessoas focadas em atender 550 pacientes. “Até o início da campanha do balde de gelo, 90% do dinheiro vinha do nosso próprio investimento”, afirma Andreza Diaféria, uma das fundadoras.

Já a Abrela recebeu 12.000 reais nos últimos sete dias, ante os 18.000 reais que costuma arrecadar durante um mês inteiro. Fundada em 1998 pelo neurologista Acary Oliveira, ela auxilia 1 800 portadores de ELA e tem quatro patrocinadores, além de doadores fixos e esporádicos.

As instituições são focadas em ajudar portadores da enfermidade com medidas como empréstimo de equipamentos, doação de alimentos (a nutrição dos pacientes, muitas vezes por meio de sonda, necessita de produtos especiais) e pagamento de enfermeiros para cuidar dos pacientes. “Vamos usar o dinheiro arrecadado para ajudar no tratamento das pessoas, como compra de comida e transporte de equipamentos”, afirma Andreza Diaféria​.

Criado em 2005, o IPG tem como objetivo fomentar pesquisas científicas relacionadas à ELA no Brasil. A entidade não declarou seu faturamento.

A doença – A esclerose lateral amiotrófica danifica as células nervosas do cérebro e da medula, inclusive os nervos motores. Com isso, a capacidade de o cérebro iniciar e controlar movimentos voluntários, inclusive os ligados à fala e deglutição, diminuiu progressivamente. Em estágios avançados, o paciente pode ter paralisia completa. Segundo Acary Oliveira, pessoas com a doença vivem, em média, três anos e meio a partir dos primeiros sintomas. No entanto, há casos mais raros de pessoas que resistem por mais tempo ao avanço da doença. É o caso do cientista Stephen Hawking, hoje com 72 anos. Ele recebeu o diagnóstico de ELA aos 21 anos.

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