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Bactéria presente na saliva indica câncer no pâncreas, diz estudo

A descoberta pode levar a uma nova forma de detectar o tumor, mesmo em estágio inicial

Um estudo descobriu que pacientes com câncer de pâncreas possuem uma bactéria específica na saliva, ausente em pessoas saudáveis ou com outros tipos de tumor. A descoberta, relatada neste domingo no encontro anual da Sociedade Americana de Microbiologia, em Boston, nos Estados Unidos, pode servir de base para um possível teste que detecte a doença em estágio inicial.

O câncer de pâncreas é responsável por 2% de todos os tipos de câncer e 4% do total de mortos por essa moléstia. Como os sintomas só costumam aparecer nas etapas avançadas da enfermidade, o diagnóstico é normalmente tardio.

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Para realizar o estudo, os pesquisadores compararam a diversidade bacteriana da saliva de 131 pacientes, sendo 63 mulheres e 68 homens. Deles, catorze haviam sido diagnosticados com câncer de pâncreas, treze com doença pancreática e 22 com outras formas de tumores. Os resultados mostraram que os pacientes com câncer no pâncreas tinham níveis elevados das bactérias Leptotrichia e Campylobacter. Eles também possuíam baixos percentuais das bactérias Streptococcus, Treponema e Veillonella.

“Nossos resultados sugerem a presença de um perfil microbiano particular para o câncer no pâncreas”, diz Pedro Torres, coautor da pesquisa e professor da Universidade San Diego State, nos Estados Unidos. “Nós podemos ser capazes de detectar a doença em estágio inicial a partir da análise da quantidade dessas bactérias em amostras de saliva.”