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Associação Médica vai pedir anulação de portaria da Saúde sobre kit covid

Entidade criticou recomendação de medicamento sem eficácia comprovada contra a doença

Por Paula Felix Atualizado em 24 jan 2022, 19h18 - Publicado em 24 jan 2022, 19h03

O Comitê Extraordinário de Monitoramento Covid da Associação Médica Brasileira (AMB) deve pedir ainda nesta semana a anulação da nota técnica do Ministério da Saúde, divulgada na última sexta-feira, 21, que recomendava a  hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia comprovada contra a Covid-19, e colocava as vacinas como opção sem efetividade e segurança. “Contrariando a todas as evidências científicas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, as sociedades médicas nacionais, as internacionais e a Organização Mundial de Saúde (OMS)”, enfatizou a entidade.

A nota abordava as recomendações para tratamento de pacientes com Covid-19 aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), mas trazia orientações divergentes das indicadas pela comunidade científica após estudos realizados ao redor do mundo sobre o tema.

Mais cedo, a AMB emitiu uma nota criticando as ações do ministro da Saúde Marcelo Queiroga na condução da pandemia de Covid-19 no Brasil, como não incentivar a vacinação infantil, apoiar o uso de remédio do “kit covid” e o apagão de dados sobre a doença no país .

Na nota, a entidade citou trecho do Código de Ética Médica do Brasil sobre o máximo de zelo que o profissional deve ter com os pacientes e a Constituição para apontar que o ministro “age à margem das mais simples normas de conduta e preceitos éticos esperados para a função”.

A AMB recordou de quando o país se aproximava de 580 mil mortes por Covid-19, em agosto do ano passado, e Queiroga se posicionou contra o uso obrigatório de máscaras. No mês seguinte, recomendou que a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades fosse paralisada. “Na ocasião, o ministro classificou a vacinação de adolescentes como ‘intempestiva’ e admitiu que a revisão da medida atendia a pedido do presidente da República”, relembra a nota.

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A demora para o início da campanha para vacinação das crianças de 5 a 11 anos, embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tenha liberado o imunizante pediátrico da Pfizer em dezembro, também foi citada. “Em sua cruzada contra vacinas, o ministro defendeu e realizou uma desnecessária e contraproducente consulta pública sobre imunização de crianças de 5 a 11 anos, visando a atrasar o processo de vacinação”.

A entidade criticou o fato de Queiroga ter visitado, na semana passada, a família que teve uma parada cardíaca sem relação à vacina contra a Covid-19, um ato que, na visão da AMB, pode fazer com que pessoas repensem se vão vacinar os filhos.

“Vivemos dias de gravidade ímpar no sistema de saúde do Brasil, enquanto o ministro da Saúde desperdiça tempo, endossa tratamentos ineficazes e protela a vacinação. Causa-nos indignação e temor a omissão, as idas e vindas do ministro, assim como posições que contradizem as boas evidências científicas, expondo a saúde e a vida dos brasileiros”, finaliza a nota.

Abaixo, os números da vacinação no Brasil:

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