Clique e assine a partir de 9,90/mês

Aspirina diminui risco de câncer colorretal — mas não para todos

Estudo revela que o uso do remédio reduz em 30% a incidência desse tumor. Benefício não vale, porém, para pessoas com uma variação genética nos cromossomos 12 e 15

Por Da Redação - 17 mar 2015, 20h06

Tomar aspirina ou ibuprofeno tende a reduzir o risco de desenvolver câncer de cólon para a maioria das pessoas, mas não funciona em uma minoria que possui algumas variações genéticas. A revelação é de um estudo publicado nesta terça-feira no periódico Jama.

Pesquisadores revisaram dez estudos da Austrália, Canadá, Alemanha e Estados Unidos que reuniram, no total, mais de 16.000 pessoas. Os dados confirmaram que o uso regular de aspirina e outros anti-inflamatórios não-esteroides, como o ibuprofeno, diminui em 30% a probabilidade de desenvolver câncer colorretal para a maior parte das pessoas. O benefício preventivo, no entanto, não foi observado em indivíduos com variantes incomuns em genes nos cromossomos 12 e 15.

Uma vez que o uso de aspirina e outros anti-inflamatórios têm efeitos adversos como sangramento intestinal, os médicos devem avaliar junto aos pacientes os potenciais perigos e benefícios do seu consumo. “O estudo sugere que o perfil genético de uma pessoa pode ajudar na tomada desta decisão”, afirmou Andrew Chan, coautor da pesquisa e professor da Escola de Medicina de Harvard.

Leia também:

Continua após a publicidade

Uso contínuo de aspirina é prejudicial para mulheres abaixo de 65 anos, diz estudo

Aspirina pode reduzir o risco de câncer de ovário

Teste genético – Chan ressalva que ainda é cedo para o mapeamento genético guiar os cuidados clínicos, uma vez que as descobertas precisam ser validadas em grupos mais heterogêneos de pacientes. A pesquisa não incluiu negros, por exemplo, que têm taxas elevadas de câncer colorretal.

Em um editorial associado à pesquisa, Richard Wender, da Associação Americana de Câncer, afirma que, em futuro não muito distante, testes genéticos eficientes e baratos poderão ajudar a definir intervenções que diminuem os riscos de doenças. “A habilidade de traduzir o mapeamento genético em tratamentos preventivos personalizados ainda está um pouco longe, mas, com estudos como este, o caminho fica mais iluminado”, afirmou.

Continua após a publicidade

(Com agência France-Presse)

Publicidade