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Artigo revisa evidências sobre como exercícios físicos intensos podem prejudicar saúde cardíaca

Relatório mostrou que maratonas e outras atividades de resistência cardíaca podem causar mudanças estruturais no coração e elevar risco de problemas como arritmia cardíaca

Por Da Redação 4 jun 2012, 10h49

Embora a prática de atividade física esteja associada à prevenção de doenças cardíacas, além de outros problemas, como a obesidade, diversos estudos já apontaram para os prejuízos ao coração causados pelo excesso de exercícios de resistência. Um artigo publicado na edição deste mês do periódico Mayo Clinic Proceedings revisou a literatura médica existente sobre o assunto e descreveu os mecanismos pelos quais a prática intensa de atividades afeta a saúde cardíaca.

De acordo com o relatório, maratonas de corrida ou de ciclismo podem desencadear alterações estruturais no coração, causando lesões no órgão e aumentando o risco de eventos cardiovasculares. Os autores levaram em consideração resultados de pesquisas recentes que sugeriram que treinos de resistência cardíaca podem, por exemplo, endurecer as paredes das artérias e elevar os níveis de biomarcadores cardíacos. Os biomarcadores são, em geral, proteínas específicas que o corpo produz por causa de alguma doença.

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Segundo os autores, é possível que essas mudanças se desfaçam e o corpo se recupere após uma semana. Porém, para os indivíduos que praticam frequentemente atividades intensas, após meses ou anos de lesões repetitivas, esse processo pode desencadear o aumento do risco de uma arritmia cardíaca ou de uma morte súbita. Até agora acreditava-se, de acordo com o artigo, que atletas, embora comumente apresentem anomalias em exames cardíacos, não necessariamente corriam maior risco de sofrer com esses problemas.

“O exercício físico, embora não seja uma droga, possui muitas características de um agente farmacológico potente. Uma rotina diária de atividade física pode ser altamente eficaz para prevenção e tratamento de várias doenças, inclusive a arterial coronariana, hipertensão, insuficiência cardíaca e obesidade. Porém, como qualquer medicamento, existe uma quantidade segura, já que os efeitos adversos do excesso de atividade podem superar os benefícios da prática”, diz James O’Keefe, cardiologista do Instituto Americano do Coração de Saint Luke, nos Estados Unidos, e um dos autores do trabalho.

O pesquisador ressalta que é baixa a mortalidade decorrente de exercícios intensos e que as pessoas fisicamente ativas são geralmente mais saudáveis do que as sedentárias. Por isso, as pessoas não devem temer a prática de atividade física, especialmente em períodos de 30 a 60 minutos ao dia.

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ARRITMIA CARDÍACA

São sequências de batimentos cardíacos irregulares, ou muito rápidos, ou muito lentos. As paredes musculares de cada uma das quatro cavidades do coração se contraem em um determinado ritmo para bombear o sangue para o corpo. Essa contração é controlada por uma corrente elétrica que percorre o coração e que é iniciada a cada batimento. A velocidade através da qual o marca-passo natural do coração descarrega essa corrente determina a frequência cardíaca.

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MORTE SÚBITA CARDÍACA

São mortes que ocorrem de maneira repentina, geralmente em decorrência de uma arritmia. O problema pode levar a um fraco desempenho cardíaco e, consequentemente, na fraca circulação sanguínea, na falta de sangue no cérebro e na perda de consciência. Ocorre especialmente nas primeiras horas do dia.

DOENÇA CORONARIANA

Também chamada de coronariopatia, é uma frequente doença cardiovascular na qual o transporte que leva o sangue ao músculo cardíaco está bloqueado parcial ou completamente. É provocada pelo depósito de colesterol e outras gorduras nas paredes das artérias coronárias. Idade avançada, pertencer ao sexo masculino e ter histórico familiar na doença na família são alguns dos fatores de risco do problema, que também envolvem hábitos de vida, como tabagismo, má alimentação, sedentarismo e obesidade.

HIPERTENSÃO

A condição é caracterizada por um aumento anômalo da pressão nas artérias. Pode ser assintomática durante anos, o que a torna ainda mais perigosa, sendo capaz de provocar doenças como acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, infartos do miocárdio e lesões nos rins. Segundo o Ministério da Saúde, a hipertensão acontece quando a pressão sanguínea se mantém com frequência acima de 140 por 90 milímetros de mercúrio (mmHg). Os fatores de risco para o problema incluem tabagismo, consumo de bebida alcoólica, obesidade, stress, alta ingestão de sal, colesterol alto e sedentarismo. Evitar hábitos como esses é uma maneira de tratar a hipertensão, que não tem cura.

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

Acontece quando, em decorrência de uma determinada doença, o coração bombeia o sangue de maneira ineficaz, não conseguindo satisfazer a necessidade do organismo, reduzindo o fluxo sanguíneo. Embora possa acometer pessoas de todas as idades, é mais comum em idosos. Pessoas com insuficiência cardíaca grave devem utilizar dispositivos mecânicos ou receber um transplante.

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