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Anvisa aprova cinco novas canetas para o tratamento do diabetes no mesmo dia

Produtos são versão sintética da semaglutida, cuja patente expirou recentemente

Por Carlos Eduardo Barra Couri Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jul 2026, 08h04 | Atualizado em 29 jul 2026, 14h30
Anvisa aprova cinco novas canetas para o tratamento do diabetes no mesmo dia Priorizar nos meus resultados Google

Nesta quarta-feira, 29, a Anvisa registrou de uma só vez cinco novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida sintética. É o maior volume de aprovações de agonistas de GLP-1 já concedido pela agência em um único momento — e, para quem acompanha esse mercado como eu, é um marco que merece ser explicado com calma, porque muda a forma como milhões de brasileiros vão se relacionar com o tratamento do diabetes tipo 2.

Vale conhecer quem está por trás de cada uma dessas canetas:

Owozy — Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos Ltda.

Seemasun — Sun Farmacêutica do Brasil Ltda.

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Zempneo — Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.

Semavy — Mantecorp, do grupo Hypera Pharma.

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Orsema — Ranbaxy Farmacêutica Ltda.

Todos foram registrados por comparação com o produto biológico de referência, o conhecido Ozempic, e precisaram demonstrar qualidade, segurança e, em estudos clínicos de fase III, não inferioridade em relação à semaglutida original. E no caso do Semavy, cujo dossiê também incluiu um estudo comparativo robusto conduzido em pacientes com diabetes tipo 2.

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Um ponto importante para quem já está lendo isso pensando em emagrecimento: por enquanto, a indicação aprovada é exclusivamente para diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à dieta e ao exercício, para pacientes em que a metformina não é apropriada. E a dose máxima registrada, no momento, é de 1mg.

O momento não é casual. Desde agosto de 2025, a Anvisa prioriza a análise de pedidos de semaglutida e liraglutida, atendendo a uma solicitação do Ministério da Saúde voltada ao abastecimento do SUS. Paralelamente, a agência colocou em prática um plano com 125 iniciativas para reduzir filas e acelerar análises. O resultado prático: de 24 medicamentos sintéticos e biológicos em fila, 11 já foram avaliados, e seis já aprovados.

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E o mercado que recebe essas novidades é gigantesco. Os análogos de GLP-1 já são o principal motor de crescimento da indústria farmacêutica global, e no Brasil não é diferente: um mercado que já soma R$ 15,6 bilhões, com crescimento de 111% em um único ano, segundo dados da IQVIA. Até pouco tempo, esse volume era atendido por poucas marcas. A chegada simultânea de cinco novos concorrentes tende a ampliar o acesso e, com sorte, equilibrar preços — que é exatamente o que a Anvisa e o Ministério da Saúde dizem perseguir.

Do ponto de vista do médico que prescreve, três coisas importam mais do que a novidade em si. Primeiro, equivalência não é sinônimo de identidade ou que seja “tudo igual”: cada caneta aprovada passou por seu próprio dossiê, e cabe ao médico entender as particularidades de dose, dispositivo, reputação da empresa e evidência clínica de cada uma antes de trocar um paciente estável de tratamento.

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Segundo, mais opções registradas no país são, paradoxalmente, a melhor resposta ao problema mais grave que enfrentamos hoje nesse campo: o comércio de canetas falsificadas ou contrabandeadas, sobretudo vindas da fronteira com o Paraguai, que colocam pacientes em risco real com produtos sem controle de qualidade. Quanto mais rápido e amplo for o acesso ao produto regular, menor o espaço para o mercado paralelo.

Terceiro: a aprovação de um registro é o início de uma jornada, não o fim dela — ainda levará algumas semanas até que essas canetas cheguem de fato às prateleiras das farmácias, e cabe à classe médica acompanhar de perto os dados de uso real que vão se acumular a partir de agora.

Recebo essa notícia com o entusiasmo de quem viu, ano após ano, a fila de pacientes crescendo à espera de mais opções de tratamento — e com o rigor de quem sabe que ciência e regulação bem-feitas não têm pressa nem atalho. O Brasil deu, nesta quarta-feira, um passo relevante rumo a um cuidado mais acessível para o diabetes. Que sigamos vigilantes, curiosos e, acima de tudo, criteriosos.

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