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Anvisa alerta para riscos de manipulação caseira de tirzepatida em pó

Segundo o órgão, substância é vendida nas redes sociais, onde circulam vídeos incentivando diluir e injetar o medicamento por contra própria; veja riscos

Por Camila Mazzotto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 set 2026, 10h00 | Atualizado em 28 set 2026, 14h37
Anvisa alerta para riscos de manipulação caseira de tirzepatida em pó Priorize VEJA no Google

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um comunicado para alertar sobre a venda ilegal de tirzepatida em pó no Brasil. A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, medicamento indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, e é comercializada na forma de solução injetável para uso subcutâneo. Versões em pó, portanto, são falsificadas e podem causar graves danos à saúde, informou a agência.

Segundo o órgão, a substância em pó é vendida nas redes sociais, onde também circulam vídeos incentivando a prática de diluir e injetar o medicamento por contra própria, sem qualquer cuidado sanitário, o que aumenta o risco de contaminação e infecções.

Além disso, não é possível assegurar que essas versões tenham, de fato, tirzerpatida em sua composição, já que elas não foram avaliadas pelo órgão regulador. Ou seja, não há garantia de que irão produzir os efeitos esperados do remédio, como o controle da glicemia e a redução do peso.

“Como o medicamento não passou por nenhuma avaliação da Anvisa, é impossível comprovar o básico: se, de fato, o princípio ativo da substância está presente. Além disso, NÃO é possível comprovar sua concentração, nem a presença de impurezas e agentes contaminantes”, advertiu a Anvisa, em nota.

Quais são os riscos da tirzepatida em pó

Misturar um produto em pó com água ou outra solução e aplicá-lo com uma seringa oferece sérios riscos à saúde, especialmente quando não há garantia de que o produto seja estéril.

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Para ser considerado estéril, ele deve estar completamente livre de microrganismos, como bactérias, fungos e outros agentes capazes de causar infecções.

“Quando um pó é fabricado sem os controles rigorosos exigidos para medicamentos injetáveis, pode conter contaminantes invisíveis a olho nu. Mesmo que o produto pareça limpo e esteja em uma embalagem lacrada, isso não significa que seja seguro”, alertou a Anvisa.

Injetar um produto contaminado pode, portanto, levar microrganismos direto para o organismo. Essa prática pode causar infecções no local da aplicação, com dor, vermelhidão, inchaço e formação de abscessos, que são bolsa de pus cercadas por tecido inflamado.

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O órgão alerta ainda que, em casos mais graves, a infecção pode se espalhar pela corrente sanguínea, causando uma condição conhecida como sepse, considerada uma emergência médica que pode levar à internação, falência de órgãos e até à morte.

Partículas microscópicas presentes no pó também representar um perigo: elas podem causar inflamações, lesões nos tecidos e outras complicações quando introduzidas diretamente no corpo.

Em ambientes domésticos, também é difícil manter as condições necessárias para preparar uma solução realmente segura para injeção. “O ar, as superfícies, os recipientes, a água utilizada e até mesmo os materiais de aplicação podem introduzir contaminação durante o processo”, diz a nota.

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“Por essas razões, apenas produtos fabricados especificamente para uso injetável, sob rígidos controles de qualidade e esterilidade, devem ser administrados por essa via. Se houver qualquer dúvida sobre a segurança de um produto em pó ou sobre a forma correta de utilizá-lo, o mais seguro é procurar orientação de um médico ou de um farmacêutico antes de qualquer aplicação”, acrescenta.

No Brasil, a tirzepatida regulamentada pela Anvisa é vendida em farmácias e também pode ser encontrada em farmácias de manipulação, desde que o paciente tenha indicação e a devida prescrição médica emitida por profissional competente.

Operação apreende mais de 1 000 ‘canetas emagrecedoras’ e peptídeos ilegais

O comércio ilegal desses medicamentos tem sido alvo de ações policiais. Na terça-feira, 22, uma operação da Anvisa em parceria com a Receita Federal e a Polícia Federal resultou na apreensão de mais de 1 000 peptídeos e canetas antiobesidade ilegais à base de tirzepatida e retatrutida, substância que ainda não chegou ao Brasil e não possui aprovação para uso comercial em nenhum país do mundo.

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A fiscalização se deu ao longo de 19 ações durante a primeira quinzena de setembro, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, considerado um dos principais pontos de tráfego ilegal de insumos e de medicamentos no país. As ações tinham como alvo produtos sujeitos ao controle sanitário em voos nacionais e internacionais.

Em nota, a Anvisa informou que a abordagem foi estratégica, com foco em passageiros vindos de Foz do Iguaçu, região de fronteira de grande circulação de produtos sensíveis, além de rotas internacionais oriundas de Dubai e Amsterdã.

“As operações conjuntas resultaram na retenção de expressivas quantidades de medicamentos e peptídeos sem registro, que estavam sendo trazidos nos voos, na tentativa de entrada irregular no país”, afirmou a agência.

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Veja abaixo quais foram os produtos apreendidos:

  • 347 unidades de tirzepatida;
  • 572 unidades de retatrutida;
  • 198 unidades de GHK-Cu.

O GHK-Cu é um peptídeo injetável que viralizou nas redes sociais sendo associado à regeneração da pele, cicatrização e até modulação genética, mas não possui comprovação científica. Além disso, a venda e uso do produto no país são ilegais.

Em julho, a Anvisa publicou uma nota para alertar sobre os riscos do uso de peptídeos amplamente divulgados na internet que não têm registro no órgão regulador.

“Os produtos que se apresentam como peptídeos denominados GHK-CU, BPC-157, TB500, CJC-1295 e Ipamorelina, que prometem efeitos estéticos ou melhora em quadros de saúde, também NÃO se encontram registrados na Anvisa”, alertou à época.

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