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Antirretrovirais reduzem risco de infecção pelo HIV

Queda é de cerca de 44%, aponta pesquisa americana

Por Da Redação - 23 nov 2010, 17h47

A combinação de antirretrovirais orais reduz em 44% o risco de infecção pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana) entre os homossexuais masculinos, revelou um teste clínico publicado nesta terça-feira pelo New England Journal of Medicine. “Os resultados deste teste são extremamente importantes e proporcionam uma prova sólida de que a profilaxia antes da exposição ao HIV pode reduzir o risco de infecção em um grupo da sociedade atingido de maneira desproporcional pela soropositividade e a aids”, enfatizou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional americano de Alergias e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês).

Os homens que mantêm relações homossexuais formam um dos grupos de maior incidência do HIV. Nos Estados Unidos, eles representam 53% das novas infecções. O estudo clínico foi realizado com 2.499 homens, entre os quais 29 mulheres transexuais, não infectados, com idades entre 18 e 67 anos e que mantiveram relações homossexuais regulares.

A pesquisa foi realizada entre julho de 2007 e dezembro de 2009 em seis países: África do Sul, Tailândia, Peru, Equador, Brasil e Estados Unidos. Para a realização do estudo, os participantes foram selecionados aleatoriamente para que tomassem diariamente um antirretroviral chamado Truvada – combinação de emtricitabine (200 mg) e de tenofovir (300 mg) – ou um placebo. Durante o experimento, todos usufruíram de serviços de prevenção, entre os quais orientação médica, preservativos e cuidados para o tratamento de doenças venéreas.

Foram registrados cem casos de infecção pelo HIV entre os participantes durante os quase três anos de testes. Dessas, 36 foram constatadas entre os 1.251 pacientes tratados com o Truvada e 64 entre os 1.248 do grupo submetidos ao placebo, demonstrando que uma dose cotidiana do antirretroviral reduz o risco de infecção em 43,8%.

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Os efeitos colaterais do uso da medicação, leves e pouco frequentes, principalmente náuseas, foram observados no início do tratamento. Contudo, foram se dissipando semanas depois, segundo o estudo, que não revelou qualquer caso de resistência aos retrovirais entre os participantes. O Niaid financiou a maior parte do teste clínico, que também recebeu fundos da Fundação Bill e Melinda Gates.O laboratório americano Gilead Sciences, que comercializa o Truvada, proporcionou o medicamento de forma gratuita.

Os resultados animadores do teste são o terceiro avanço nos últimos 18 meses nos esforços de prevenção contra o HIV. Em julho, um estudo demonstrou que as mulheres na África que utilizam um gel vaginal microbicida reduziram em 39% os riscos de infecção. Em 2009, um teste clínico de uma vacina experimental na Tailândia mostrou um efeito positivo modesto contra a infecção.

A cada ano, 2,7 milhões de pessoas se infectam com o HIV em todo o mundo, a maioria na África.

(Com Reuters)

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