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Anos extras na formação do médico podem ser incorporados na residência

Governo estuda transformar os dois anos extras na graduação em medicina, proposta feita há quase duas semanas, em dois anos de serviços na rede pública durante a residência médica

Por Da Redação - 26 Jul 2013, 12h08

Depois de dois dias de informações desencontradas, os ministérios da Saúde e da Educação concordaram nesta quinta-feira em uma fórmula que deverá incorporar os dois anos extras na formação do médico na residência, e não mais na graduação, como havia sido proposto inicialmente. A ideia é que, durante esse tempo, os recém-formados atuem na atenção básica e na urgência e emergência da rede pública, garantindo que o residente trabalhe como médico generalista. A proposta da comissão que estuda o assunto deverá tornar a residência obrigatória. Hoje, há vagas de residência para apenas cerca de metade dos que se formam nas escolas de medicina

Contradições – Ao lançar o programa Mais Médicos no dia 8 de julho, o governo federal propôs que a graduação em medicina fosse estendida em dois anos, tempo durante o qual o aluno seria obrigado a trabalhar na rede pública. A medida foi duramente criticada pela classe médica e por acadêmicos. No entanto, após reunião com o Conselho Nacional de Educação, nesta quarta-feira, os ministros Alexandre Padilha e Aloizio Mercadante deram indícios de que poderiam voltar atrás nessa decisão.

As posições dos políticos, porém, foram contraditórias. Mercadante sugeriu que os dois anos fizessem parte de um curso de residência regular. Para ele, os jovens poderiam atender na atenção básica, “mas já focada na área específica da formação que o profissional irá se desenvolver”. Padilha, por outro lado, defendeu que a mudança poderia ser feita, mas seria concentrada em urgência e emergência.

Proposta – De acordo com o Ministério da Saúde, a nova proposta sugere que o recém-formado possa escolher a área em que quer fazer residência e imediatamente comece o programa. Mas, enquanto se prepara para atuar na área escolhida, trabalharia no Sistema Único de Saúde (SUS) como médico generalista. A ampliação do programa nos moldes apresentados pelo governo faria com que os futuros residentes tivessem dupla atividade, estudando e trabalhando na área específica e também prestando horas de serviço nos atendimentos básicos e de emergência.

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Para o Ministério Saúde, a ideia de focar o residente já na sua área desde o início tiraria o principal sentido da proposta do governo, a formação de um médico humanista, capaz de prevenir doenças e ver o paciente como um todo. A proposta está sendo debatida por uma comissão formada por especialistas, diretores de escolas médicas e entidades de formação médica.

O projeto Mais Médicos, editado em forma de Medida Provisória, precisa ainda ser transformado em lei pelo Congresso. As mudanças passarão pelo avaliação de deputados e senadores e podem ou não ser aceitas.

Balanço – O Ministério da Saúde informou que até as 17h30 desta quinta-feira já haviam se inscrito no Mais Médicos 18.545 profissionais.

(Com Estadão Conteúdo)

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