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Alotriofagia: distúrbio alimentar faz mulher comer pedra

A condição pode ser causada por deficiências nutricionais e distúrbios mentais. No caso de gestantes está associada com anemia

Imagine que você está andando na rua e, de repente, alguém à sua frente se agacha, pega uma pedra e coloca na boca, como se fosse comida. Parece estranho, não é mesmo? Mas essa atitude incomum pode ser um indício da alotriofagia, condição de saúde que leva as pessoas a ingerirem itens não-alimentares. O problema afeta especialmente crianças pequenas e gestantes. Brenda Naggita, por exemplo, está grávida e tem desejo frequente de comer “bumba”, um tipo de argila.  Segundo ela, isso ajuda a combater os enjoos e a vontade constante de cuspir.

“Eu como bumba, mas há pessoas que gostam de comer formigueiros, amam mangas muito verdes ou de lamber portas de prédios antigos. É um desejo incontrolável. E só outra mulher que passa por isso pode entender a satisfação que isso provoca”, contou à BBC.

O hábito estranho trouxe prejuízos para a saúde de Brenda. Ela começou a sofre com constipação e inchaço e não conseguia ir ao banheiro. Ao procurar o médico, Brenda foi orientada a beber bastante água. “Fiz isso e melhorei”, disse. A mulher ainda foi informada dos riscos da condição, que incluem desnutrição, falta de apetite e intoxicação por metais, como chumbo. “Ele me explicou os perigos e que é difícil parar de fazer isso. Vou tentar reduzir ainda mais a quantidade que como”.

Por enquanto, ela não conseguiu parar de comer “bumba”.

Alotriofagia

De acordo com especialistas, a condição pode ser causada por deficiências nutricionais e distúrbios mentais. No caso de gestantes, como Brenda, o problema surge por causa de um quadro de anemia. A população que mais sofre com a alotriofagia são crianças até seis anos.

Entre os itens mais consumidos por quem tem a condição estão: pedra, barro, cabelos, alimentos crus, cola, sabão, gelo, fezes de animais, tinta e cinzas de cigarro, por exemplo. Existe tratamento para a pessoa que sofre com a doença que inclui acompanhamento nutricional e psicológico. Também é importante ficar atento às possíveis complicações, como problemas no sistema digestivo, infecções e intoxicações.

Caso note esse comportamento com duração maior que um mês, não hesite em procurar ajuda médica.