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Adolescência: um manual para os pais

Pela primeira vez, a Sociedade Brasileira de Pediatria lança um guia sobre adolescência voltado para os pais. Livro traz valiosas instruções sobre temas controversos como sexualidade e drogas, e dicas práticas de saúde

Por Natalia Cuminale - Atualizado em 24 Maio 2016, 16h35 - Publicado em 8 out 2011, 08h03

Pais de primeira viagem têm à sua disposição dezenas de guias para ajudá-los nas decisões que vão repercutir diretamente na saúde e no desenvolvimento de seus bebês – desde qual a hora certa de mamar até quando tirar as fraldas. O que fazer, no entanto, quando eles entram na difícil fase da adolescência? Na série Filhos – Adolescentes de 10 a 20 anos de idade (Editora Manole, 126 pág, 69 reais) da Sociedade Brasileira de Pediatria, é possível encontrar orientações respaldadas por nove especialistas, entre pediatras, dentistas e psiquiatras, para temas como sexualidade e drogas, além de dicas práticas de saúde: o que fazer durante a fase do estirão, quais vacinas seu filho deve tomar e como evitar o sobrepeso e a obesidade, cada vez mais frequentes nessa faixa etária. O livro será lançado neste domingo (dia 9), durante o Congresso Brasileiro de Pediatria, em Salvador.

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Entrevista com Paulo César Pinho Ribeiro, um dos autores do livro

“É um livro importante porque a adolescência abrange a fase de transição entre a infância e a maturidade. É um período de mudanças corporais fundamentais, de conflito e insegurança. Por isso, é preciso que os pais estejam bem-informados para ajudar seus filhos”, diz Fabio Ancona Lopez, organizador da série Filhos, que já lançou dois volumes – um dedicado aos bebês e o segundo às crianças entre dois e dez anos. O livro explica, por exemplo, que os cuidados de saúde não param na adolescência: jovens devem ser levados trimestralmente ao pediatra durante o estirão do crescimento, que dura cerca de dois anos. No pico de crescimento durante a puberdade, um adolescente pode crescer de 10 até 14 centímetros. Com isso cresce a necessidade de nutrientes e de outros cuidados com o corpo – incluindo a vacinação.

Biblioteca

Filhos – Adolescentes de 10 a 20 anos de idade

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capa do livro Filhos, da Sociedade Brasileira de Pediatria
capa do livro Filhos, da Sociedade Brasileira de Pediatria

Com 126 páginas, o livro tem 13 capítulos, com linguagem simples e organização didática. Ao ler, os pais encontram boxes com texto direto e “especialmente elaborado como se você estivesse no consultório tendo uma conversa com o pediatra”, explica a publicação. Além disso, possui ícones para a visualização rápida com chamadas de “atenção”, “o que você deve fazer/saber”, “o que observar” e “quando consultar o pediatra”.

Ao mesmo tempo em que ocorre o aumento de estatura, há também o desenvolvimento psicológico, marcado por ritos de passagem. Nessa fase, a opinião dos amigos vale mais que a dos pais; em um momento a vida é perfeita, no outro, uma droga; o amor e o ódio pelos pais também fazem parte da rotina dos adolescentes que, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, ocorre em jovens com idades entre 12 e 18 anos. “Os pais desorientados costumam achar que há algo errado ou patológico no comportamento de seus filhos. O que geralmente não acontece”, diz Paulo Cesar Pinho Ribeiro, um dos autores do livro, pediatra especialista em medicina da adolescência.

O convívio em grupo se torna mais comum e assim eles se sentem mais seguros para agir. É o momento da busca pela independência e liberdade para a vida adulta. “É um período extremamente crítico, em que os jovens podem entrar em situações de risco se não forem bem orientados”, diz Lopez. Nessa hora é que comportamentos como o uso de álcool, abuso de drogas ilícitas ou dirigir em alta velocidade ocorrem, segundo o livro. “Uma característica do jovem é a onipotência. Eles se acham acima de qualquer perigo”, afirma Lopez. (continue a ler a reportagem)

Sexualidade – A publicação ainda direciona um capítulo para tratar exclusivamente do tema sexualidade, com os métodos contraceptivos existentes, explica quando visitar o ginecologista pela primeira vez, como tratar do tema sexo e ainda desmistifica a masturbação. “Hoje, os jovens têm iniciado a atividade sexual em média, aos 15 anos de idade. É importante conversar sobre isso com eles”, explica Ribeiro. O livro também afirma que o pediatra deve esclarecer todas as dúvidas dos adolescentes, garantindo a privacidade e a confidencialidade deles. Até mesmo o interesse pelo mesmo sexo é tratado pelo guia, que diz que nem toda relação homossexual na adolescência pressupõe homossexualidade na idade adulta. “Em caso de adolescentes homossexuais, tanto os pais como os profissionais de saúde devem adotar uma postura de acolhimento, respeito e atenção, e isenta de discriminação”, afirma a publicação.

Entre os temas abordados, estão as faixas etárias ideais para a prática de atividades físicas, como deve ser a nutrição do adolescente que pratica esportes e quais riscos estão envolvidos na atividade incorreta. Por causa do desejo dos jovens de terem um corpo atlético em pouco tempo, o uso de anabolizantes recebe atenção especial nesse capítulo esportivo. Segundo os autores, depois das chamadas drogas ilícitas (maconha, crack e outras) e das lícitas (álcool e cigarro), os esteroides passam a preocupar os profissionais de saúde. Eles podem causar variação de humor, agressividade, tremores, aumento de peso, alterações no exame de sangue entre outros inúmeros problemas.

Nesse período, os pais vão ouvir reclamações sobre o aparecimento de cravos, verão seus filhos emburrados por não poderem ir a uma festa por causa de uma prova da escola, darão dicas nos momentos de altos e baixos vividos por seus ex-bebês. Mais do que isso, terão que conviver com o fato de que seus filhos estão crescendo.

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