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Acúmulo de gordura ajuda a agravar o câncer de próstata

Pesquisadores concluíram que a atividade de genes de homens com sobrepeso ou obesidade sofre alterações que facilitam o crescimento dos tumores

Pesquisadores encontraram uma forma de explicar como o excesso de peso afeta negativamente a progressão e a gravidade do câncer de próstata. Segundo a equipe, formada por especialistas de vários países, a gordura acumulada em torno da próstata de homens com obesidade ou sobrepeso que têm a doença cria um ambiente favorável para que os tumores cresçam e se espalhem. Isso ocorre, de acordo com os especialistas, pois o tecido adiposo desses pacientes desregula a atividade de determinados genes que, entre outras funções, estão ligados a quadros de inflamação crônica, de expansão da massa de gordura e de reprodução de células cancerígenas.

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Essas descobertas fazem parte de um estudo publicado nesta terça-feira no periódico BMC Medicine. A pesquisa também concluiu que, quanto mais avançada é a doença da próstata, mais grave é a desregulação sofrida pelos genes do tecido adiposo que fica em torno do órgão. A equipe chegou a tais conclusões após analisar a gordura da próstata de pacientes que haviam sido submetidos a uma cirurgia no órgão. Os participantes tinham hiperplasia benigna da próstata, câncer localizado ou a doença em fase metastática.

“Em uma população cada vez mais obesa, é importante entender como a gordura, especialmente a localizada ao redor da próstata, pode influenciar o crescimento e a gravidade do câncer. Com isso, será possível desenvolver novas e personalizadas estratégias terapêuticas”, afirma Ricardo Ribeiro, pesquisador do Instituto Português de Oncologia di Porto e coordenador da pesquisa.

“Os genes alterados podem se tornar alvos terapêuticos no combate ao câncer de próstata”

Ricardo Ribeiro

Pesquisador do Grupo de Oncologia Molecular do Instituto Português de Oncologia do Porto e coordenador do estudo

O seu estudo concluiu que a gordura em volta da próstata em homens obesos ou com sobrepeso favorece o crescimento de tumores. Isso também pode ocorrer com homens de peso normal?

Não, já que vimos que os genes do tecido adiposo da próstata de homens obesos ou com sobrepeso são alterados em comparação com pacientes de peso normal. Esses homens com excesso de peso apresentam mecanismos de respostas inflamatórias e de produção de moléculas com potencial cancerígeno desregulados. Esses fatores juntos contribuem com o crescimento e a agressividade dos tumores, levando ao aumento do risco de morbidades e mortalidade.

Como esses resultados podem ajudar nos futuros tratamentos contra o câncer de próstata?

Essas conclusões reforçam a associação entre excesso de peso e câncer de próstata agressivo. Portanto, o estudo apoia a implementação de medidas de saúde pública que busquem reduzir a obesidade e a carga de câncer na população, além de contribuir para a conscientização dos médicos quando eles estiverem diante de um paciente diagnosticado com o câncer de próstata e também com obesidade. A redução de peso pode ser oferecida como opções terapêuticas para o câncer.

Alguns dos genes alterados que encontramos em no tecido adiposo da próstata também podem se tornar eventuais alvos terapêuticos, embora muita pesquisa ainda seja necessária para que isso ocorra.