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Acompanhamento de um único obstetra torna o parto seguro e mais barato

Estudo mostra que trocar os cuidados de uma grande equipe de médicos durante a gravidez pelo de um único obstetra não diminui a segurança do parto

Selecionar um único obstetra para acompanhar a gravidez, o parto e o pós-parto é um procedimento tão seguro quanto submeter-se a uma equipe de médicos durante esse período. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada na revista The Lancet nesta segunda-feira, que também mostrou que – ao contrário do que se pensava – o trabalho do obstetra pode ser muito mais barato, diminuindo os custos dos serviços públicos de saúde.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Caseload midwifery care versus standard maternity care for women of any risk: M@NGO, a randomised controlled trial

Onde foi divulgada: periódico The Lancet

Quem fez: Sally Tracy, entre outros pesquisadores

Instituição: Universidade de Sydney, na Austrália; entre outras

Dados de amostragem: 1748 mulheres grávidas, que foram aleatoriamente selecionadas para ser acompanhadas ou por um único obstetra durante toda a gravidez, o parto e o pós-parto, ou por uma equipe variada de médicos

Resultado: Os pesquisadores descobriram que os dois tipos de procedimento não mostraram nenhuma diferença para a segurança das mulheres e dos bebês. No entanto, o procedimento com um único obstetra foi muito mais barato

Para realizar a pesquisa, cientistas selecionaram aleatoriamente mulheres grávidas em dois hospitais na Austrália, e designaram 871 para serem acompanhadas por um único obstetra, enquanto outras 877 passaram pelos cuidados compartilhados entre uma equipe de médicos. A intenção era comparar o resultado na saúde materna e no bebê.

Os pesquisadores não observaram nenhuma diferença entre os dois grupos no número de cesarianas, anestesias epidurais, partos instrumentais, admissões em unidades de terapia intensiva neonatal e nascimentos prematuros. Também não foi percebido nenhum tipo de diferença na saúde dos bebês – e isso valeu para qualquer tipo de parto, mesmo os de alto risco.

No entanto, as mulheres que receberam cuidados de um único obstetra eram menos propensas a passar por uma cesárea eletiva (decidida antes do início do trabalho de parto), com maior probabilidade de ter um parto espontâneo. Além disso, elas precisaram de uma menor quantidade de medicamentos contra a dor, tiveram uma perda menor de sangue e precisaram ficar no hospital por menos tempo.

Tudo isso somado, os custos de seu procedimento foram muito menores. “Os custos do acompanhamento de um único obstetra é cerca de 1.200 reais menor do que os de equipe, com resultados semelhantes para as mulheres de qualquer faixa de risco”, afirma Sally Tracy, pesquisadora da Universidade de Sydney, na Austrália, e autora do estudo.

Modelos – De acordo com os pesquisadores, o resultado da pesquisa pode levar a uma mudança no modo como os governantes administram os cuidados com saúde durante a gravidez. “O procedimento que utiliza o acompanhamento de um obstetra tem sido largamente ignorado nos sistemas de saúde daqui da Austrália por causa da ideia de que o serviço será muito caro e que o modelo não é seguro para gestações complexas. Nossos resultados mostram que, ao contrário, ele é seguro e viável”, diz Tracy.

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Segundo Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein, a existência de um obstetra de referência, que acompanha o pré-natal e faz o parto da mulher, é muito importante, mas está se tornando menos comum no Brasil. No sistema privado, alguns planos de saúde têm se recusado a pagar para que o médico fique à disposição para ser acionado na hora do parto, o que faz com que muitas mulheres tenham que dar a luz sem seu médico de referência. Já no sistema público, o comum é o paciente ser atendido durante o pré-parto por um único médico de referência, mas, durante o trabalho de parto, ser atendido por uma equipe de emergência a postos no hospital. “Isso é uma pena, pois existe uma grande vantagem em poder contar com um médico que conhece tudo sobre você, especialmente para a gravidez de alto rico”, afirma Zlotnik.