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Abortos induzidos aumentam o risco de mulheres darem à luz bebês prematuros ou com baixo peso no futuro

Estudo identificou maior probabilidade entre pacientes que já haviam passado por três abortos induzidos antes de terem o primeiro filho

Um extenso estudo publicado nesta semana concluiu que uma mulher que fez ao menos três abortos induzidos corre um maior risco de dar à luz bebês prematuros ou com baixo peso. Segundo os resultados, as chances do primeiro filho nascer com menos que 1,5 quilo chega a ser duas vezes maior em comparação com grávidas que nunca abortaram. A pesquisa foi publicada no periódico Human Reproduction.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Birth outcomes after induced abortion: a nationwide register-based study of first births in Finland

Onde foi divulgada: periódico Human Reproduction

Quem fez: Reija Klemetti, Mika Glisser e outros

Instituição: Instituto Nacional de Saúde da Finlândia

Dados de amostragem: 300.858 grávidas

Resultado: Mulheres que passaram por três abortos induzidos antes de darem à luz ao primeiro filho correm mais riscos de terem bebês prematuros e de baixo peso. A chance de a criança nascer com menos do que 1,5 quilo pode ser até duas vezes maior

A pesquisa analisou dados de mais de 300.000 mães finlandesas que deram à luz de 1996 a 2008. Mulheres que, antes do nascimento de seus primeiros filhos, realizaram pelo menos três abortos induzidos, apresentaram um risco 35% maior de terem bebês prematuros (nascidos antes da 37ª semana de gestação); 43% mais propensas a darem à luz crianças com peso baixo (menor do que 2,5 quilos); e o dobro de chances de terem filhos com peso muito baixo (menor do que 1,5 quilo), comparadas àquelas que nunca haviam abortado.

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Segundo Reija Klemetti, professora do Instituto Nacional de Saúde da Finlândia e coordenadora do estudo, o risco de um beber nascer prematuramente aumenta a cada aborto realizado por uma mulher. Por exemplo, a cada 1.000 mulheres que nunca tiveram um aborto, três terão um bebê muito prematuro; a cada 1.000 gestantes que abortaram uma vez, seis terão um bebê muito prematuro; e a cada 1.000 mulheres que tiveram três abortos, onze terão um bebe nascido antes de 28 semanas de gravidez. Para Klemetti, os resultados não devem alarmar as mulheres, já que alguns fatores podem ter confundido os resultados – como o fato de o estudo ter sido observacional, mostrando uma relação estatística, e não causal, entre aborto e bebês prematuros e com baixo peso. Além disso, outros fatores podem interferir nesses problemas do nascimento, como a classe social, o estilo de vida e a vida sexual da grávida. É importante lembrar ainda que a pesquisa foi feita na Finlândia, onde a assistência de saúde às gestantes é uma das melhores do mundo e muito discrepante em relação ao atendimento em países mais pobres.