A receita de um dos maiores nomes da pesquisa em envelhecimento para você se tornar um ‘super ager’
As recomendações do médico americano Eric Topol para quem quiser passar dos 80, 90 ou 100 esbanjando saúde
Super Ager: o termo, assim em inglês, parece até marqueteiro, mais sedutor que a tradução para o português, “superidoso”. Mas já há uma sólida ciência por trás do que nós e a medicina podemos fazer para tornar essa aspiração realidade. Nem tudo depende única e exclusivamente da gente, claro, porém há um roteiro que cada um de nós pode seguir.
Isso é o que nos prescreve um dos maiores nomes nos estudos da longevidade hoje, o cardiologista americano Eric Topol, no livro Super Agers, que acaba de ser publicado no Brasil pela Editora Artmed.
Topol é um cientista renomado, à frente do Scripps Research Translational Institute, na Califórnia, onde segue tocando pesquisas que buscam levar os avanços em laboratório ao mundo real, além de um cidadão preocupado em mostrar à sociedade caminhos baseados em evidências para que se viva mais e melhor.
Neste livro, praticamente uma “bíblia da longevidade” à luz dos conhecimentos atuais, ele mergulha na base do envelhecimento fisiológico, explora a revolução biomédica em curso e, talvez o mais interessante a quem está ávido por informações na esfera prática, reúne as atitudes que, no dia a dia, ajudam a angariar uma maturidade plena.
Talvez alguns desses preceitos você até saiba de cor, mas o diferencial é que Topol entra a fundo nas orientações, sempre amparado em estudos e mais estudos – prepare-se para uma enxurrada de dados e citações. E, o que é tão relevante quanto, desbanca as fórmulas que vendem efeitos miraculosos e carecem de comprovação. Talvez o caso mais notável sejam os suplementos.
A seguir, uma seleção dos pilares de um envelhecimento saudável, segundo o especialista.
Alimentação
Não tem jeito: já há pesquisa suficiente para atestar que a gente precisa comer menos ultraprocessados – alimentos que costumam ser lotados de aditivos, sódio, gordura ou açúcar. Quem faz deles o alimento de sua rotina está mais sujeito a ganho de peso, inflamação e desregulações metabólicas capazes de encurtar a expectativa e a qualidade de vida. Maneirar na carne vermelha é outra orientação, assim como cortar as bebidas alcoólicas. No que investir? Comida mais fresca, natural e com predomínio vegetal.
Exercício e sono
Pessoas sedentárias e que dormem mal provavelmente terão menos anos pela frente. A ciência é muito clara quanto a isso. Portanto, botar o corpo para se movimentar e descansar direito depois – não trocando a noite pelo dia – é um plano inescapável para a longevidade. Tanto exercícios aeróbicos (corrida, caminhada…) como os de resistência (musculação) são importantes. Estabelecer um ritual de sono, com horário para deitar-se e levantar-se, também.
Companhia e natureza
Hoje é impossível desatrelar a saúde física do equilíbrio mental. Diante de uma avalanche de ansiedade, depressão e outros inimigos da paz de espírito, Topol recomenda que nos desconectemos mais das telas e priorizemos conexões sociais de verdade. O isolamento e a solidão realmente aumentam a propensão a doenças encurtadoras de vida – o coração e o cérebro sofrem em termos fisiológicos. Outra medida realçada pelo cardiologista é o contato com a natureza. Novos estudos ressaltam que experiências ao ar livre e junto ao verde melhoram os níveis de estresse que maltratam o corpo.
Vacinação
Vacinas não são decisivas apenas a bebês e crianças. A manutenção do calendário de imunização ao longo da vida, bem como a adesão a picadas especialmente destinadas a idosos, é outro elemento indissociável da jornada rumo a um envelhecimento saudável. Isso porque, quando o corpo é exposto a infecções (gripe, herpes-zóster, bactérias pneumocócicas…), sofre um bombardeio inflamatório capaz de descompensar doenças crônicas e acelerar a degradação celular. As vacinas, portanto, evitam que o relógio biológico acelere antes dos tempo.





