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A maratona dos médicos no resgate dos mineiros

Especialistas organizam um roteiro de ações para garantir a saúde dos 33 homens soterrados antes, durante e após o resgate

Por Da Redação - 12 out 2010, 17h37

Apesar de terem recebido uma dieta balanceada durante o confinamento de mais de dois meses, os mineiros foram orientados a ingerir apenas líquidos a partir de seis horas antes do início do resgate

Será preciso que os familiares acrescentem frutas, legumes e derivados do leite aos poucos

A complexa operação de resgate dos 33 mineiros soterrados no Chile inclui uma série de medidas médicas que serão obrigatórias para garantir a saúde dos sobreviventes, momentos antes do resgate e assim que eles chegarem à superfície. Os dois meses de confinamento em condições extremas exigiram a mobilização de vários médicos e profissionais de diferentes áreas para que os trabalhadores continuassem vivos e minimamente saudáveis.

Preparativos – Antes que qualquer mineiro volte à superfície, uma equipe de médicos irá descer até a câmara onde se encontram os 33 sobreviventes. Os profissionais serão responsáveis por examinar cada um dos trabalhadores antes que eles subam. Os médicos devem garantir que todos tenham condições físicas para suportar os 20 minutos no trajeto dentro da cabine de transporte até a superfície.

A alimentação é outra preocupação. Apesar de terem recebido uma dieta balanceada durante o confinamento de mais de dois meses, os mineiros foram orientados a ingerir apenas líquidos a partir de seis horas antes do início do resgate. A medida é necessária para que náusea e vômito sejam controlados.

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Mesmo cuidando da saúde bucal com escovações periódicas e bochechos com produtos específicos, os dentes dos mineiros devem estar entre os primeiros itens a serem examinados assim que eles saírem. No ambiente quente e úmido, propício à formação de bactérias, as cáries normalmente encontram terreno fértil para proliferar. “Com os kits bucais, as chances de eles desenvolverem problemas é muito menor. Mesmo assim, é preciso tomar cuidado com cáries profundas, que podem agravar a situação de doenças preexistentes, causando possíveis inflamações da polpa dental, ou pulpite”, aponta Viviane Rezende Fernandes, cirurgiã dentista. A especialista reforçou a necessidade de assistência dentária imediata após o resgate.

A subida – Durante o caminho até a superfície, os especialistas e paramédicos preocupam-se com os efeitos da pressão barométrica enquanto os mineiros estiverem na cápsula de resgate. Eles serão erguidos aos poucos para que não haja problemas de descompressão- sintomas como dores de cabeça e desorientação. Mesmo assim, eles podem sentir tontura, dificuldade para respirar e dores musculares. Como estão acima do nível do mar, é possível que muitos nem sintam o mal-estar durante a viagem. Para garantir a redução de problemas respiratórios, os mineiros terão reservas de oxigênio suficientes para chegar à superfície. Devido aos cuidados tomados durante todo o curso do resgate, o risco de manifestação de doenças pulmonares também é menor.

Uma das principais preocupações é a reintrodução dos mineiros à luz solar. Todos vão usar óculos especiais com filtros para raios ultravioletas, durante a subida e na chegada à superfície. Os óculos podem impedir lesão séria da retina, além de auxiliar no processo de readaptação dos olhos à luminosidade natural. Será preciso também que eles utilizem protetor solar fator 50 na primeira semana fora da mina para acostumar a pele à nova condição climática. A utilização de roupas compridas e cremes hidratantes também será recomendada. Isso porque a pele que não foi exposta à luz por semanas pode secar facilmente levando a infecções. A equipe de salvamento apontou que os primeiros diagnósticos serão feitos em uma sala com pouca claridade, para evitar desconforto e maiores danos à visão.

Vida nova – Uma vez na superfície, os médicos irão verificar a eficácia de cremes antifungos que foram enviados ao abrigo. Como os mineiros ficaram todo o tempo a uma temperatura de 30 graus centígrados com 89% de umidade, a proliferação de fungos na pele era algo esperado.

Em contato com as famílias, é possível que os mineiros tenham dificuldade na readaptação da alimentação. Será preciso que os familiares acrescentem frutas, legumes e derivados do leite aos poucos. Durante o confinamento os trabalhadores foram obrigados a reduzir a quantidade de alimento ingerido e de lixo produzido. A mudança abrupta de rotina poderá causar diarreia e desidratação, retardando a recuperação. As bebidas alcoolicas também terão que ser evitadas até que os níveis de vitamina B – que protege o cérebro no estado de embriaguez – sejam normalizados.

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