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Viagem à ditadura

O repórter Lourival Sant’Anna conseguiu entrar na Coreia do Norte para mostrar aos leitores de VEJA a situação real do país

Por Da Redação - 15 jun 2018, 06h00

O encontro entre o presidente americano Donald Trump e o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, ganhou as manchetes de todo o mundo como um evento histórico. Ainda que tenha resultado num comunicado vago, sem concessões concretas e abrangentes, a reunião entre os dois merece mesmo o adjetivo — é histórica, na medida em que colocou em cada lado da mesa dois inimigos figadais que, até há pouco tempo, apenas trocavam insultos públicos. Na cúpula, com ou sem compromissos claros, os dois conseguiram afastar, por enquanto, a ameaça de um conflito nuclear.

A cúpula redundou em uma vitória estrondosa para o ditador. Afinal, também há pouco tempo, Kim Jong-un era tratado como um lunático, um pária no mundo das nações civilizadas. Agora, montado em seu arsenal nuclear, conseguiu levar à mesa de negociações nada menos que o líder americano. Melhor ainda: o ditador saiu sem ouvir de Trump uma única palavra de censura às sistemáticas violações de direitos humanos cometidas por seu regime. Kim Jong-un teve a chance de posar de líder respeitável.

O ditador não é o doido destemperado que a má informação construiu, mas também não é um líder respeitável. Ele chefia um Estado policial medonho. Dias antes do encontro histórico, o experiente repórter Lourival Sant’Anna conseguiu entrar na Coreia do Norte e percorrer mais de 900 quilômetros, visitando a cidade e o campo, para mostrar aos leitores de VEJA a situação real do país, que se estrutura com base em um sistema de castas muito peculiar e dramaticamente autoritário.

“O que mais me surpreendeu foi que os norte-coreanos soam genuinamente convencidos de que vivem sob um regime razoável. A lavagem cerebral parece mais profunda do que em outras ditaduras. A adesão ao regime tem um aspecto de fé religiosa”, diz Sant’Anna, que, em suas andanças, esteve sempre acompanhado por guias do regime, impedido de circular livremente ou falar, sem intermediários, com os norte-coreanos.

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Nesta edição, como parte das comemorações dos cinquenta anos de VEJA, a revista começa a publicar o perfil dos dezoito candidatos ao prêmio VEJA-se, que será entregue em 26 de novembro. Com suas seis categorias, de Educação a Inovação, ele distingue cidadãos que se projetam como agentes de mudança na sociedade brasileira. O leitor encontrará o perfil de Anna Castanha, publicitária que se destacou na categoria Diversidade.

Publicado em VEJA de 20 de junho de 2018, edição nº 2587

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