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Sucessão frustrada

Preocupados com a ascensão da primeira-dama, militares dão um golpe de Estado e põem o ditador Mugabe, que comandou o país por 37 anos, em prisão domiciliar

Por Luiza Queiroz 17 nov 2017, 06h00

“Somente Deus, que me elegeu, pode me tirar daqui”, disse Robert Mugabe às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 2008 no Zimbábue — uma marmelada, pois seu adversário foi preso diversas vezes ao longo da campanha. Desde 1980, quando se tornou primeiro-ministro, Mugabe governou com mão de ferro. Resguardado pela apatia de outros governos da África, ele expulsou fazendeiros brancos e criou esquadrões da morte para assassinar rivais e seus familiares, queimados ou a golpes de facão. Seu país é um desastre: o desemprego é de 95%; 14% da população é portadora do vírus HIV; e a inflação é de 348% ao ano (só menor que a venezuelana, de 1 400%). Aos 93 anos, Mugabe era o mais velho ditador africano. Na quarta-feira 15, não foi Deus, e sim o Exército, que o pôs em prisão domiciliar e o forçou a ceder o comando.

O erro do ditador foi menosprezar o apoio que tinha dos militares. Nos últimos anos, ele transferiu várias atribuições a sua mulher, Grace, que foi sua secretária no governo e com quem se casou em 1996 — ela aos 31 anos, ele aos 72. Muitos fardados que estavam com Mugabe desde o começo passaram a se preocupar com o risco de o presidente dar à ditadura um caráter hereditário, indicando Grace como sua sucessora. Apelidada de “Gucci Grace”, por usar roupas da grife, ela é prepotente e autoritária. Neste ano, foi acusada de surrar uma modelo sul-africana com um fio elétrico em um hotel de Joanesburgo, na África do Sul. Foi Grace quem arquitetou a demissão, há duas semanas, do vice, Emmerson Mnangagwa, que também pretendia se tornar ditador. Como o vice tinha boas relações com os militares, o golpe apareceu no horizonte como inevitável.

Publicado em VEJA de 22 de novembro de 2017, edição nº 2557

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