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Sem refúgio

Sim, aconteceu de novo: ex-aluno invade escola com um fuzil AR-15 e mata dezessete na Flórida

No jornal The Onion, publicação satírica americana, descobriu uma fórmula para denunciar respeitosamente a frequên­cia cruel dos massacres em escolas dos Estados Unidos. Faz sempre o mesmo título: “ ‘Não há como prevenir isso’, diz o único país onde isso acontece sistematicamente”. Desde 2000, houve mais de quarenta massacres perpetrados por atiradores dentro de colégios. As escolas americanas já fazem simulados de emergência. Nos exercícios, os alunos ficam fechados e em silêncio nas salas com as portas travadas. A sensação de proteção, contudo, é ilusória. Uma das instituições que faziam a prevenção era a Marjory Stoneman Douglas High, em Parkland, na Flórida.

Na quarta-feira 14, o ex-aluno Nikolas Cruz, de 19 anos, entrou com um fuzil AR-15 atirando contra professores e estudantes. Para fazer com que todos saíssem das salas, ele acionou o alarme de incêndio. O número de mortos, dezessete, foi maior que o do crime na escola Columbine, em 1999, que deixou treze mortos.

Expulso da escola no ano passado, Cruz era considerado um jovem problemático, que mostrava as armas que levava consigo e se gabava de matar animais. Era obcecado por uma das garotas da escola e certa vez quase a esfaqueou. Sua mãe chegou a chamar os policiais à sua casa para tentar colocá-lo na linha. Cruz já tinha sido expulso de duas escolas antes e seu sonho era servir nas Forças Armadas. Seus colegas comentavam que, se um dia um atirador entrasse na escola, esse seria Nikolas Cruz. A premonição se confirmou. “Nenhuma criança, nenhum professor, ninguém deve se sentir inseguro em uma escola americana”, escreveu Donald Trump no Twitter, antes de saber que o atirador recebeu treinamento de supremacistas brancos, cujo radicalismo o presidente sempre evita denunciar.

Publicado em VEJA de 21 de fevereiro de 2018, edição nº 2570

Comentários

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  1. José Carlos Lopes de Oliveira

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