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Paulo Gusmão: “O pixuleco vem sem aviso”

O publicitário que criou o popular bonecão inflável de Lula presidiário explica a estratégia com que o coloca nas ruas

Dilma Rousseff caiu e Lula foi condenado por unanimidade pelo TRF4. O Pixuleco não vai perder a validade? Absolutamente não. Se perder a validade, será porque Lula foi preso. Ou seja, porque cumpriu seu papel.

Como surgiu o Pixuleco? Foi depois de 15 de março de 2015, quando milhões foram às ruas pedir o impeachment de Dilma. Eu disse para o Movimento Brasil de Alagoas que era importante ter algo que simbolizasse a indignação do brasileiro. Surgiu daí a ideia de criar o boneco gigante inflável, com 15 metros de altura. Alguém que fez o que o Lula fez, sendo o líder, tinha de estar preso. No começo, o boneco não tinha nome. Pensei em chamá-lo de Luleco, mas aí apareceu o “Pixuleco”, associado a propina, e tomou uma força gigantesca. Tivemos todos os cuidados.

Quais? Não queríamos banalizá-lo. Como pediam demais o boneco nas ruas, fizemos versões pequenas, e a partir delas surgiram outras. Mas não é assim como o grande. Há apenas alguns espalhados — não falo quantos —, guardados com pessoas de confiança. O Pixuleco tem mente e inteligência por trás. Por isso está vivo até hoje.

O que o senhor quer dizer com “o boneco tem inteligência e mente”? Ele não aparece por acaso. Existe o momento certo. Alguns colegas chegaram a divulgar quando ele ia aparecer, mas não deve ser assim, pois é preciso criar expectativa. O Pixuleco vem sem aviso. Existe um comando, um pensamento, por trás dele, para definir onde, quando e como ele surge.

A presidente do PT, Gleisi Hoff­mann, ordenou aos correligionários “tolerância zero” com o boneco inflável, e militantes petistas declararam que os bonecos devem ser “furados, murchados e destruídos”. Doeu ouvir isso? Eles querem violência. Nós queremos nos expressar. Para cada Pixuleco levantado, há um cidadão querendo se manifestar. Temos de caçar corruptos, e não um boneco inflável que não fala e não escuta. Coitado! Já foi atacado umas dez vezes. A declaração de Gleisi mostra desespero. Não vamos para a rua fazer guerra. Estamos na rua para nos expressar contra a impunidade, de forma pacífica.

 

Publicado em VEJA de 21 de fevereiro de 2018, edição nº 2570