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Os tempos estão mudando

A segunda morte do jornal 'The Village Voice'

Por Da Redação 7 set 2018, 07h00

Em setembro de 2017, com uma foto de Bob Dylan tirada nos anos 1960, ali ao lado, nas ruas do East Village nova-ior­quino, o The Village Voice circulou pela última vez em papel, e desde então foi parar na web. Perdera sua principal fonte de recursos, os anúncios classificados, para versões eletrônicas, que vendem de tudo e mais um pouco, e com eficácia inigualável. Tinha circulação razoavelmente alta ainda — 120 000 exemplares semanais —, mas já não conseguia andar com as próprias pernas. Na semana passada, deu-se a segunda morte do jornal, agora irreversível, até mesmo na internet. O site continuará no ar, mas sem atualização. No futuro breve, ali estarão as 500 000 páginas de papel digitalizadas. Para um dos editores, elas representam “o estado da arte da experiência analógica”. Definitivamente, como alertou Dylan em 1964, num de seus clássicos primevos, “os tempos estão mudando”.

“Esse é um dia triste para o The Village Voice e para milhões de leitores”, disse Peter Barbey, o investidor que comprara o título em 2015, prometendo salvá-lo. “O jornal era um elemento-chave para o jornalismo de Nova York e tinha leitores em todo o mundo. Como primeiro jornal alternativo moderno, ele literalmente definiu um novo gênero de publicação.” Era de esquerda. Foi pioneiro nas questões de comportamento, especialmente em torno do aborto e dos direitos dos gays. Tinha algumas das mais influentes críticas de música, do jazz ao rock, e de cinema. Grandes nomes da literatura americana andaram por suas manchetes e colunas. Um de seus fundadores, em 1955, foi Norman Mailer. Ao criá-lo, disse que o imaginava “ultrajante” e que “desse alguma velocidade a essa revolução moral e sexual que ainda está por vir”. O The Village Voice foi fundamental nessa dupla revolução — até ser atropelado por uma outra, a digital.


O sabor carioca

Celidônio – Personagem charmoso da recente história do Rio de Janeiro //Divulgação

Paulistano radicado no Rio de Janeiro, José Hugo Celidônio era tratado como um carioca da gema. Foi o primeiro chef de cozinha brasileiro a incluir ingredientes nacionais na alta gastronomia, na qual predominavam, naturalmente, temperos importados — entrou nessa história muito antes de Alex Atala. Alçou a mistura ao patamar de arte com seu famoso e delicioso crepe de maracujá. Aprendeu a combinar produtos de lá com os de cá nos anos 1950, na França, onde estudou enologia e culinária. Como sempre soube não se tratar apenas de comida, fez fama com uma das casas que abriu, a Flag, ao pôr em cena, no piano-bar, gente do quilate de Tom, Vinicius, Nara Leão e Dick Farney. No fim dos anos 1960, Chico Buarque fez ali uma temporada memorável, cantando diariamente, durante um mês inteiro. Generoso, o vasto bigode a emoldurar o sorriso, foi mestre de cozinheiros hoje respeitados no Rio, como Felipe Bronze, do Oro. Celidônio morreu aos 86 anos, no domin­go 2, depois de um mal-estar súbito enquanto jantava com a família numa pizzaria. Havia pedido uma marguerita e um bom vinho tinto.

Publicado em VEJA de 12 de setembro de 2018, edição nº 2599

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