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Os escroques de Trump

A situação do presidente americano piora: seu ex-chefe de campanha e seu ex-advogado são condenados à prisão e três aliados estão colaborando com a Justiça

Um a um, muitas vezes em um mesmo dia, advogados, conselheiros e ex-­assessores de Donald Trump têm saído dos tribunais mais encrencados do que entraram. As acusações contra eles são as mais diversas, mas todos os processos brotam de uma mesma raiz. Ao acossar aliados do presidente, a Justiça americana, capitaneada pelo procurador especial Robert Mueller III, pretende obter a colaboração deles para apurar se o presidente cometeu algum crime grave. Desde maio de 2017, Mueller apura se houve interferência russa nas eleições de 2016 a favor de Trump. “No fim, caberá ao Congresso decidir se a totalidade das informações fornecidas por Mueller será ou não suficiente para justificar um impeachment”, diz o advogado americano Bradley Moss, do escritório Mark S. Zaid, em Washington.

Na terça-feira 21, dois ex-companheiros próximos do republicano acertaram as contas com os juízes. Paul Manafort, ex-chefe da campanha eleitoral de Trump, foi condenado por oito crimes. Ele sonegou impostos e escondeu da Receita Federal depósitos no exterior, que somaram 65 milhões de dólares entre 2010 e 2014. Uma hora e meia depois da sentença de Manafort, Michael Cohen, ex-advogado pessoal do presidente, assumiu a autoria de oito crimes nos tribunais. Entre eles, Cohen deixou de declarar impostos no total de 4 milhões de dólares quando era sócio de Evgeny Freidman, um russo conhecido como “o rei dos táxis” de Nova York. Ele também admitiu ter violado as leis que regulam as campanhas eleitorais ao comprar o silêncio da atriz pornô Stormy Daniels e da ex-modelo Karen McDougal, que deviam se calar sobre o caso que tiveram com Trump, em uma negociata que caracterizou uma ação ilegal com dinheiro da campanha eleitoral. Cohen e Manafort ainda não abriram o verbo contra Trump, mas podem fazê-lo em breve. Cohen será sentenciado em dezembro e corre o risco de pegar mais de cinco anos de prisão. Manafort pode bater nos oitenta anos. “Ao indiciar pessoas próximas de Trump, Mueller não esconde que seu plano é alcançar o presidente”, diz Joshua Dressler, professor de direito na Universidade Estadual de Ohio.

Para complicar ainda mais as coisas, Cohen e Manafort já mantiveram relação estreita com Moscou. Onze dias antes da posse do presidente, Cohen reuniu-se com um oligarca russo na Trump Tower, em Nova York. Ele também tem conhecimento do encontro que ocorreu meses antes entre uma delegação russa, conselheiros da campanha republicana e Donald Trump Jr., filho do presidente, no mesmo local. Manafort manteve contato com oficiais da inteligência russa no ano anterior ao das eleições e ganhou milhões de dólares na campanha de Viktor Yanukovych, aliado de Vladimir Putin, para a Presidência da Ucrânia. Outros três ex-aliados de Trump — George Papadopoulos e Richard Gates, conselheiros de política externa da campanha, e Michael Flynn, ex-chefe de segurança nacional — já cooperam com o procurador.

Na semana passada, soube-se que o principal advogado da Casa Branca, Donald McGahn, também andou abrindo o bico. Ele passou trinta horas conversando com a equipe de Mueller. Segundo o jornal The New York Times, McGahn compartilhou informações sobre as tentativas de Trump de obstruir as investigações e de demitir Mueller. O impeachment ainda está longe, mas o caminho que leva até ele está ficando mais claro.

Publicado em VEJA de 29 de agosto de 2018, edição nº 2597

Comentários

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  1. Luiz Chevelle

    Trump… aquela senhora Vilma com um sobrenome polonês está muda.

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