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O peso das animações

Estreia de 'O Touro Ferdinando', do brasileiro Carlos Saldanha, agita um mercado milionário e repercute na produção nacional, que não para de crescer

Por Maria Clara Vieira Atualizado em 4 jun 2024, 17h40 - Publicado em 12 jan 2018, 06h00

Desde pequenininho, Ferdinando era avesso à violência. Preferia admirar a natureza e fazer amizade com animais do campo a correr bufando pelas arenas de Madri — tudo o que não se espera de um touro robusto criado nas imediações da capital espanhola. Depois de escapar dos duelos na infância e crescer em uma pacata fazenda, o grandalhão pacifista cai, por acidente, no mundo das sangrentas touradas e se vê às voltas com o desafio de conviver com os oponentes até conseguir escapar. Com diálogos bem-humorados e uma clara mensagem antiviolência, O Touro Ferdinando estreou no Brasil na quinta-feira 11, carregando nas costas a expectativa de fazer frente ao elogiado Viva! — A Vida É uma Festa tanto nas bilheterias quanto na corrida pelo Oscar de melhor animação de 2018 (as indicações serão anunciadas em 23 de janeiro). O filme tem à frente o diretor carioca Carlos Saldanha, de A Era do Gelo e Rio. Ele é o nome brasileiro mais bem-­sucedido no pujante universo dos longas-metragens de animação.

Além de Saldanha, outros brasileiros aparecem nos créditos de grandes produções recentes. O paulista Renato dos Anjos foi diretor de animação de Zootopia, vencedor do Oscar de 2017. A mineira Natália Freitas cuidou dos cenários, personagens e objetos de Moana. Ivo Kos e Nancy Kato trabalham na aguardada sequência Procurando Dory. “Os animadores brasileiros ganharam grande respeito no exterior”, confirmou Saldanha a VEJA. Tirando partido da conjunção de desenhos animados em alta com nomes nacionais em destaque internacional, a produção de animações no Brasil também passa por um período de intensa movimentação.

A lista de estreias nacionais bem-­sucedidas é liderada por Lino, de 2017, um humano que vira um gato gigante, a primeira animação brasileira em 3D, e a maior bilheteria da produção nacional no gênero até hoje. Neste momento, 25 longas-metragens de animação estão em fase de produção no Brasil. Em junho, o país será homenageado no Festival de Annecy, na França, considerado “o Cannes da animação”, um cobiçado canal de divulgação do qual os desenhos brasileiros estiveram ausentes até 2013 — mas, quando entraram, foi pela porta da frente: Uma História de Amor e Fúria, do diretor paulista Luiz Bolognesi, arrebatou o prêmio de melhor longa-metragem. No ano seguinte foi a vez de O Menino e o Mundo, premiado longa de Alê Abreu, levantar o troféu de Annecy e ganhar uma indicação ao Oscar em 2016 (perdeu para Divertida Mente, do gigante Pixar). “A produção nacional de longas de animação é de alta qualidade, mas ainda está restrita a festivais. Precisa de maior volume para se tornar realmente comercial”, avalia Saldanha.

Ao lado dos longas, a produção de séries animadas também vem aumentando — de duas, há dez anos, passou para 44 atualmente. No canal por assinatura infantil Cartoon Network, Irmão do Jorel, a história de um garotinho que vive à sombra do irmão mais velho e por isso nem nome tem, é a mais vista entre crianças de 4 a 11 anos e já foi exportada para Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru. No Discovery Kids, os campeões de audiência no Brasil e em mais de oitenta países são os simpáticos Peixonauta, cujo primeiro longa estreia no dia 25, e Show da Luna, a pequena cientista que já virou boneca e estampa roupas, sapatos e acessórios. Na Netflix, entre os investimentos programados para produções no Brasil está uma série de animação para o segundo semestre de 2019, Cupcake e Dino — Serviços Gerais — que, como o insano nome indica, vem a ser a história de um bolinho e de um dinossauro que são irmãos e sócios em uma empresa de serviços domésticos.

Animações são um produto altamente rentável, por atrair adultos e crianças. No caso das séries, podem permanecer em exibição durante décadas. Um levantamento de 2013 mostra que os produtos animados detêm 25% do mercado mundial de audiovisual, com faturamento direto de 220 bilhões de dólares e outros 500 bilhões em licenciamento de marcas e personagens. “Por serem fáceis de dublar e apresentarem personagens desconectados da realidade, os desenhos são também muito exportáveis”, explica Luciane Gorgulho, chefe do departamento de cultura do BNDES, que abriu uma linha de crédito específica para animações. Orçado em 110 milhões de dólares, O Touro Ferdinando arrecadou 145 milhões desde que estreou nos Estados Unidos, há um mês, e deve passar de 200 milhões em breve. No mundo dos desenhos animados, o céu — aquele azulzinho, com nuvens fofas e um arco-íris — é o limite.

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Turminha animada

Os personagens e as histórias que movimentam o novo desenho brasileiro: os sucessos internacionais Luna (1) e Peixonauta (2); Lino (3), a maior bilheteria da animação nacional; o pioneiro seriado Tromba Trem (4); os premiados Uma História de Amor e Fúria (5) e O Menino e o Mundo (6), que concorreu ao Oscar 2016; a série que virou longa Historietas Assombradas (7); e o misterioso Irmão do Jorel (8), campeão de audiência na TV a cabo latino-americana


Publicado em VEJA de 17 de janeiro de 2018, edição nº 2565

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