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O negócio da República

Na véspera de um dia festivo, há pouco a celebrar no Rio

Por João Cezar de Castro Rocha 17 nov 2017, 06h00

▪ Escrevo esta coluna na véspera do feriado da Proclamação da República.

▪ Hoje, 14 de novembro, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o deputado Jorge Picciani, foi indiciado pela Polícia Federal, acusado de crimes diversos: de associação criminosa a lavagem de dinheiro, passando pelo clássico desvio de recursos públicos. Como se sabe, aos políticos tupiniquins nunca faltou criatividade.

▪ No mais recente ranking internacional das universidades de todo o mundo, realizado pelo Center for World University Rankings (CWUR), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) foi considerada a oitava mais importante universidade brasileira. Em outras listas, situa-se entre as vinte maiores da América Latina.

▪ Em espanhol, feriado se diz “día festivo”. Assim mesmo: momento de celebração.

▪ Em 1498, a primeira viagem de Vasco da Gama às Índias gerou um lucro de 6 000%. Nos últimos vinte anos, o patrimônio da famiglia Picciani conheceu um salto quântico de 6 386%. Nesse período, Jorge Picciani tornou-se um político poderoso: um negócio da China! No Brasil, bem se vê, política rima com empreendedorismo; aliás, rima nada pobre.

▪ República: vocábulo com sentido cristalino — res publica, coisa pública.

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▪ Há dois amargos anos o governo do Rio de Janeiro submete as universidades públicas estaduais a um inaceitável estado de sítio: verbas básicas de manutenção não são repassadas e as firmas terceirizadas não são pagas, levando a um colapso artificial das instituições. Ainda não foram quitados os meses de setembro e outubro, o 13° salário de 2016 (sim: 2016!) e a antecipação de parte do 13° salário de 2017. O governador e os seus secretários estão com suas altas remunerações em dia?

▪ A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) publicou em setembro deste ano uma avaliação rigorosa de todos os programas de pós-­graduação do país. No Estado do Rio, a Uerj foi a única universidade que não teve nenhum programa descredenciado, o que evidencia sua força na área da pesquisa e na formação de quadros de alto nível. Contudo, o governo estadual deve aos professores-pesquisadores da Uerj nove meses de uma bolsa denominada Prociência, que, como o nome sugere, pretende fomentar a pesquisa e a pós-graduação. O Conselheiro Acácio não faria melhor…

▪ Acredite se quiser (de fato, é pouco crível): o governador Pezão transformou os funcionários, aposentados e pensionistas das secretarias associadas a ciência, tecnologia e cultura em bodes expiatórios da crise que o seu governo aprofundou. Os demais funcionários, de uma forma ou de outra, recebem seus proventos. Como definir uma política de Estado que desvaloriza de modo tão grosseiro a cultura, a ciência e a tecnologia?

▪ A Operação Cadeia Velha apura desvios de 183 bilhões de reais no exíguo prazo de cinco anos. Tal montante financiaria a Uerj por aproximadamente um século e meio.

▪ No Brasil, a palavra república constrange a etimologia.

Publicado em VEJA de 22 de novembro de 2017, edição nº 2557

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