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No salão das grandes estrelas

Cerimônia de Roberta Gradel e Priscila Raab sobressai entre os 280 casamentos gays deste ano no Brasil – foi o primeiro a acontecer no Copacabana Palace

Por Diogo Schelp - 16 mar 2018, 06h00

A cerimônia com rituais judaicos que uniu a farmacêutica Roberta Gradel, de 38 anos, à economista do mercado financeiro Priscila Raab, de 42, no sábado 10, sobressai entre os 280 casamentos gays já realizados neste ano no Brasil porque derrubou uma barreira simbólica: foi o primeiro a ser comemorado no Copacabana Palace, que tradicionalmente sedia as festas da alta sociedade carioca. Inaugurado há 95 anos, o Copa, como é chamado pelos mais íntimos, é um daqueles hotéis de luxo cujo glamour emana mais das histórias para as quais serviu de cenário e das celebridades que por ali passaram do que por seus pisos de mármore e seus lustres de cristal. Apenas dez anos depois de abrir as portas, foi locação de um filme com Fred Astaire e Ginger Rogers. Em seus aposentos, hospedaram-se da rainha da Inglaterra Elizabeth II ao presidente americano Dwight Eisenhower, do escritor alemão Thomas Mann ao compositor russo Igor Stravinsky, da primeira-dama argentina Eva Perón ao inventor Santos Dumont. Na boate Meia-Noite e no salão Golden Room, um dos treze usados atualmente para festas de casamento, cantaram a diva alemã Marlene Dietrich, o americano Nat King Cole e sua conterrânea Ella Fitzgerald. Ali, também, bailou e tomou porres históricos uma constelação de estrelas de cinema — como as atrizes Ava Gardner, uma das mais belas de sua geração, e Anita Ekberg, eternizada nas águas da Fontana di Trevi, em Roma, no filme La Dolce Vita, de Fellini. Nada mais apropriado do que recorrer ao símbolo quase centenário das grandes festas cariocas para celebrar um casamento do século XXI.

Publicado em VEJA de 21 de março de 2018, edição nº 2574

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