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Mudanças necessárias

A cada etapa da vida dos filhos, a família precisa se reciclar

Será que existe um modelo estável de família, ou ela se transforma à medida que os filhos nascem e, depois, crescem? Em tempos em que muitos pais e mães tentam entender os mais diversos comportamentos dos filhos, em todas as etapas da vida deles, é bom pensar sobre como a dinâmica familiar influencia, para o bem e para o mal, o desenvolvimento dos mais novos.

Uma família sempre começa com a reunião de, pelo menos, duas pessoas, e elas podem ser pares da mesma geração, ou um adulto e uma criança. Temos, na atualidade, muitas “mães-solo”, a nova expressão usada e mais aceita, e alguns “pais-solo” também, mas em menor número. Para que essa reunião de pessoas se torne um grupo familiar, cada um deve assumir o seu lugar, tanto geracional quanto no grupo.

Isso significa que o adulto precisa se comportar como adulto, a mãe como mãe e o pai como pai, independentemente de o casal estar junto ou não. A criança deve ter o direito à infância, de se comportar como criança. O adolescente, por sua vez, precisa assumir aos poucos a responsabilidade por sua vida — ainda sob a tutela dos pais —, ser reconhecido e acolhido como alguém que está em construção e transformação constantes e ter a oportunidade de aprender, na prática, que ser integrante de uma família acarreta compromissos.

Tudo isso exige que os vínculos entre os adultos e os mais novos sejam construídos e mantidos o tempo todo. Sabemos, por exemplo, que pais que têm bebê em casa perdem o sono por um motivo bem diferente do daqueles que têm filho adolescente, que já gosta de frequentar reuniões e festas noturnas. Os primeiros se cansam, os segundos se angustiam.

Os vínculos familiares dos pais com os filhos pequenos são de um tipo, expressam-se de determinadas maneiras, mas o crescimento dos filhos faz com que esses vínculos se transformem, ou seja, se expressem de outras maneiras. Quer saber como? Filhos pequenos adoram colo, mimo, beijar e abraçar, mas, já no início da segunda parte da infância, costumam sinalizar aos pais que insistem nesses comportamentos: “menos, mãe, menos, pai, por favor!”. É ou não é? Os pais precisam, portanto, aprender a comunicar sua amorosidade pelos filhos de outras maneiras.

E aí está: a cada etapa da vida dos filhos, a família precisa mudar, adaptar-se, reciclar-se. Há famílias que insistem em permanecer do mesmo jeito como se construíram em sua origem e, muitas vezes, esse é um dos motivos do grande desconforto que os filhos — principalmente os adolescentes — experimentam quando estão com a família.

Não é a família em si que o jovem recusa com os comportamentos que expressa; é a família que insiste em permanecer a mesma desde quando ele era criança. Como ele já não é mais uma criança, não consegue identificar o seu lugar no grupo: sente-se, desse modo, excluído da panelinha. Mudança não produz instabilidade; provoca, sim, crescimento, adaptação, maturidade. Evitar mudanças não oferece segurança. Pense em sua família: ela tem se transformado na mesma medida e com a mesma velocidade com que seus filhos crescem?

Publicado em VEJA de 23 de maio de 2018, edição nº 2583

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