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Meu reino por uma embaixada

Anna Wintour, a longeva e influente chefe da 'Vogue' americana, foi ofuscada pela rainha Elizabeth II em um desfile de moda em Londres

Por Diogo Schelp - 23 fev 2018, 06h00

No mundo da moda, ela reina absoluta, mas, na terça-feira 20, Anna Wintour, a longeva e influente editora-chefe da Vogue americana, revista que ela comanda há trinta anos, viu-se à sombra de uma rainha (esta de verdade) ainda mais longeva e influente. Elizabeth II, da Inglaterra, chegou de surpresa para assistir a um desfile da London Fashion Week, pela primeira vez em seus 91 anos. Ao contrário dos outros mortais da primeira fileira, sentou-se em uma cadeira com braços e almofada de veludo. Anna, que inspirou a personagem irascível vivida por Meryl Streep no filme O Diabo Veste Prada, foi muito criticada pelos zelosos súditos ingleses por não ter tirado os óculos escuros nem na presença de Sua Majestade — ainda que seja sua marca registrada usá-los até dentro do escritório. Elizabeth, por outro lado, mostrou que não é preciso gastar o equivalente a 60 000 reais (custo somado do vestido Alexander McQueen, do casaco de pele de cordeiro, das botas de salto alto, dos colares e, é claro, dos óculos Chanel usados por Anna) para se vestir como uma rainha. Em vez disso, um conjunto de saia e jaqueta em azul pastel com cristais Swarovski, luvas pretas e a inseparável bolsa Launer, num valor total de 9 800 reais (os brincos de pérola que ela ganhou da mãe e o broche de diamantes 18,8 quilates são inestimáveis). Para Anna, ser fotografada ao lado da rainha foi providencial: ela vem tentando ser nomeada embaixadora dos Estados Unidos na Inglaterra, onde nasceu, desde 2009. Democrata atuante, quase conseguiu com Barack Obama, em 2012. Há rumores de que abordou Donald Trump com o mesmo pedido em 2016. Ela nega.

Publicado em VEJA de 28 de fevereiro de 2018, edição nº 2571

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