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Kim sai da toca

Pela primeira vez, o norte-coreano vai ao exterior. Escolheu a China, para mostrar aos EUA que tem aliado de peso

Por Duda Teixeira 30 mar 2018, 06h00

Depois de testar uma bomba de hidrogênio e mísseis balísticos que podem atravessar metade do planeta, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-­un, sentiu-se à vontade para sair do isolamento. Na semana passada, Kim chegou de surpresa a Pequim em um trem blindado de 21 vagões e janelas foscas. Ele ficou dois dias na China. Durante esse período, Kim e Xi Jinping fizeram reuniões, posaram para fotos e jantaram na companhia das respectivas mulheres. A visita internacional, a primeira desde que ele assumiu o poder, em 2011, só foi confirmada depois que ele já havia retornado ao seu país.

Ao visitar Xi Jinping, o norte-coreano tenta um alívio nas sanções econômicas. As exportações de derivados de petróleo da China caíram para quase zero em outubro de 2017, e a Coreia do Norte corre o risco de ficar sem reservas em moeda estrangeira no fim do ano. Além disso, Kim quis mostrar ao presidente Donald Trump, com quem deve se encontrar em breve para discutir seu arsenal nuclear, que conta com o endosso chinês. Kim pleiteia a retirada dos soldados americanos da Península Coreana e o fim dos exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos com a Coreia do Sul em troca do fim de seu programa nuclear. “O problema é que, no improviso, os dois correm o risco de combinar alguma coisa que não seria aplicável em seguida”, diz Christopher Hill, ex-embaixador americano na Coreia do Sul que participou de negociações com a Coreia do Norte no governo de George W. Bush. E Trump é o rei do improviso. A visita de Kim à China “foi muito bem”, comentou ele — no Twitter.

Publicado em VEJA de 4 de abril de 2018, edição nº 2576

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