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Jogo bruto

Para conseguir apoio político à reforma da Previdência, o governo ameaça travar financiamentos de bancos oficiais a estados e municípios

Por Hugo Marques Atualizado em 31 jan 2018, 15h07 - Publicado em 29 dez 2017, 06h00

O governo mostrou que está disposto a jogar pesado para aprovar a reforma da Previdência. Na terça-feira, Carlos Marun, o recém-empossado ministro-chefe da Secretaria de Governo, anunciou que vai pressionar os governadores a trabalhar a favor do projeto em troca da liberação de recursos em financiamentos de bancos públicos. “O governo espera daqueles governadores que têm recursos a ser liberados, financiamentos a ser liberados, como de resto de todos os agentes públicos, reciprocidade no que tange à questão da Previdência”, disse o ministro. Chantagem? Segundo o ministro, não. “Financiamentos da Caixa são ações de governo. Senão, o governador poderia tomar esse financiamento no Bradesco. Obviamente, se são na Caixa Econômica, no Banco do Brasil, no BNDES, são ações de governo, e nesse sentido entendemos que deve, sim, ser discutida com esses governantes alguma reciprocidade”, explicou.

Os governadores do Nordeste entenderam o que o ministro chama de “reciprocidade” como o que de fato parece, chantagem, e, no dia seguinte, sete deles (Ceará, Piauí, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia) — cinco de oposição — enviaram uma carta ao presidente Temer protestando contra as declarações do ministro. “Não hesitaremos em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos, caso a ameaça se confirme”, diz o texto. Renan Filho, governador de Alagoas, explica que a rebelião não é contra a reforma da Previdência: “Isso que o ministro fez é um atentado contra a República. Esperamos que o posicionamento do Marun não seja o posicionamento do governo”. O Palácio do Planalto não se manifestou.

Publicado em VEJA de 3 de janeiro de 2018, edição nº 2563

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