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Jantar radioativo

Com a bomba pronta, Kim marca encontros com o presidente da Coreia do Sul e o dos Estados Unidos

Por Thais Navarro - 27 Apr 2018, 06h00

O Extremo Oriente está com uma agenda incomum de reuniões por estes dias. Depois de visitar Pequim em março, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, tinha jantar marcado com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, na sexta-feira 27. Em uma vila na zona desmilitarizada, o mesmo edifício onde foi assinado o armistício entre os dois países, em 1953, foi designado como o local do encontro. Além disso, o próximo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, esteve recentemente com Kim para combinar os preparativos para outra reunião, prevista para maio. Desta vez, será com Donald Trump, que assim se tornará o primeiro presidente americano a se encontrar com um dos tiranos da família Kim desde a Guerra da Coreia (1950-1953).

Um acerto para encerrar o programa nuclear bélico da Coreia do Norte acabaria com uma das maiores causas de dor de cabeça da atualidade. Os percalços não são poucos. Há uma notável diferença entre o que cada país entende por desnuclearização. Para os Estados Unidos e a Coreia do Sul, seriam a entrega e a destruição do arsenal norte-coreano. Para a Coreia do Norte, no entanto, é a suspensão dos testes. O país aceitaria congelar seu programa do jeito que está, mas não abriria mão do que já conseguiu. Kim pode prometer que não fará mais testes porque já tem a bomba. O país comemorou recentemente que não precisa mais de testes subterrâneos ou lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais. “Seria um erro assumir que Kim está disposto a abrir mão de todas as suas armas nucleares e de seus sistemas de lançamento”, diz Robert Turner, professor de relações exteriores da Universidade da Virgínia. Ainda assim, é melhor ter Kim numa mesa de negociação do que diante do botão nuclear.

Publicado em VEJA de 2 de maio de 2018, edição nº 2580

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