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Fraudes nas telas

Reportagem produzida por VEJA sobre as campanhas presidenciais mostra como as práticas heterodoxas estão disseminadas — e podem acabar ludibriando o eleitor

Por Da Redação - 31 Aug 2018, 07h00

A esta altura, depois de tudo o que veio a público sobre o controvertido papel das redes sociais nas eleições em vários países, ninguém ficaria genuinamente surpreso ao saber que as campanhas presidenciais no Brasil estão contaminadas por manobras e ilegalidades. Ainda assim, a radiografia produzida por VEJA chama atenção ao mostrar como as práticas heterodoxas estão disseminadas — e podem acabar ludibriando o eleitor em 7 de outubro.

Laryssa Borges, 37 anos, repórter da sucursal de Brasília, apurou detalhes de uma investigação sigilosa segundo a qual a Cambridge Analytica, a notória empresa inglesa que usou dados de milhões de usuários do Facebook para enganar eleitores americanos, tinha planos ambiciosos para manipular o pleito no Brasil. Previa, inclusive, violar bancos de dados para roubar informações.

O repórter Gabriel Castro, 30 anos, também de Brasília, ao examinar o comportamento tão desenvolto de apoiadores de Geraldo Alckmin, acabou descobrindo que o tucano estava remunerando uma equipe para que simulasse apoio ao candidato em sites noticiosos, o que é expressamente proibido por lei.

Em São Paulo, o repórter André Lopes, 24 anos, ao acompanhar o movimento das campanhas nas redes sociais, descobriu que a equipe do candidato Ciro Gomes, do PDT, vinha burlando o aplicativo WhatsApp para divulgar, por meio de robôs, notícias otimistas sobre o pedetista — e isso antes mesmo do início oficial da campanha. Também detectou uma legião de robôs alavancando artificialmente a popularidade digital dos candidatos Jair Bolsonaro, do PSL, e Marina Silva, da Rede — embora, nesses dois casos, não haja provas de que a manipulação tenha algum vínculo com as campanhas.

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O repórter Eduardo Gonçalves, 26 anos, também de São Paulo, teve acesso a um e-mail que mostra que uma agência de marketing digital prometia pagar a “influenciadores digitais” para que elogiassem candidatos petistas. Por lei, candidatos não podem pagar a terceiros para que façam propaganda na internet.

Tudo isso demonstra que as redes sociais, apesar dos esforços para legislar sobre o que as campanhas podem fazer no ambiente digital, ainda são terra de ninguém. A VEJA resta o orgulho de registrar que seus leitores, bem informados por um jornalismo vigilante, dispõem de uma arma adicional para evitar a manipulação.

 

Publicado em VEJA de 5 de setembro de 2018, edição nº 2598

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