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Direita, volver

O que levou os chilenos a votar outra vez em Piñera foi o desejo de estabilidade e crescimento, algo que Bachelet não conseguiu alcançar

A faixa presidencial do Chile será trocada mais uma vez entre a pediatra Michelle Bachelet e o bilionário Sebastián Piñera, que enriqueceu com empresas de cartão de crédito, aviação e comunicação. Eleita em 2006, Bachelet entregou a faixa a Piñera em 2010 e a recebeu de volta quando retornou ao poder, em 2014. Em março do ano que vem, Bachelet passará a faixa a Piñera mais uma vez. No domingo 17, ele, concorrendo por um partido de direita com uma plataforma conservadora, obteve 54% dos votos no segundo turno, ficando 9 pontos porcentuais à frente do socialista Alejandro Guillier, um jornalista com mandato de senador, que representaria a continuidade do governo de Bachelet. No dia seguinte ao da eleição, Piñera e sua mulher, Cecilia Morel, receberam Bachelet para um café da manhã em casa, retribuindo o convite que ela fizera em 2013. Foi uma demonstração comezinha de que a democracia no Chile vai bem, com alternância de poder e respeito às tradições republicanas.

No seu último mandato, Bachelet deixou de lado o consenso econômico que marcou a política chilena nas últimas décadas. Fez uma reforma tributária que elevou impostos para empresas, uma reforma trabalhista que fortaleceu os sindicatos, uma reforma educacional que deu ensino superior gratuito aos mais pobres — e teve a má sorte de conviver com a queda dos preços internacionais das commodities. A classe média sentiu-se sacrificada. Na campanha, Piñera colocou-se contra as reformas, mas deixou claro que nada faria para revertê-las. “Os chilenos não pedem que sejam desfeitas as reformas de Bachelet. Só querem um pouco de respiro depois de tantas mudanças. Eles também entenderam que nada do que Bachelet fez melhorou a economia ou criou empregos”, diz o sociólogo Eugenio Tironi, diretor da consultoria Tironi, em Santiago. Na eleição, Piñera conquistou o voto dos eleitores que queriam estabilidade. Com o preço do cobre, o principal produto do Chile, em ascensão, talvez não seja difícil retomar o crescimento econômico.

Publicado em VEJA de 27 de dezembro de 2017, edição nº 2562

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